Bolívia expulsa agência de Desenvolvimento dos EUA

O presidente da Bolívia, Evo Morales, informou nesta quarta-feira que está expulsando a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid, na sigla em inglês) do país, sob a alegação de "tentativa de minar seu governo de esquerda". Morales, no entanto, não especificou quais seriam as ações ilegais da Usaid.

Agência Estado

01 de maio de 2013 | 19h37

Ele anunciou a decisão a uma multidão do lado de fora do palácio presidencial durante a reunião do Dia do Trabalho e afirmou estar protestando contra uma declaração recente do secretário de Estado norte-americano, John Kerry, de que a América Latina seria o "quintal" dos Estados Unidos.

"Os Estados Unidos têm diversas instituições que continuam a conspirar, e é por isso que eu estou usando esse encontro para anunciar que decidi expulsar a Usaid da Bolívia" afirmou Morales à multidão, voltando-se para seu ministro das Relações Exteriores, David Choquehuanca, e ordenando-lhe que informasse à embaixada dos EUA.

Há pouco tempo, o presidente acusou a Usaid de financiar grupos que se opunham às políticas do governo, especificamente a Confederação de Povos Indígenas do Oriente da Bolívia (Cidob), que organizou protestos contra a construção da estrada em meio ao Parque Nacional Isiboro Sécure, maior reserva florestal boliviana. A agência de notícias estatal da Bolívia, a ABI, disse que a Usaid é "acusada de interferência política em sindicatos camponeses e outras organizações sociais".

Em 2008, Morales expulsou o embaixador norte-americano e agentes da Força Administrativa de Narcóticos (DEA, na sigla em inglês) por, supostamente, incitar a oposição. "Os EUA ainda têm a mentalidade de domínio e submissão" na região, comentou o presidente boliviano nesta quarta-feira.

Apesar da ação midiática de Morales, a atuação da Usaid no país já vinha diminuindo nos últimos anos, em meio às tensões com os EUA. A ajuda destinada pela agência caiu de US$ 100 milhões em 2008 para US$ 28 milhões no ano passado.

Em Washington, o porta-voz do Departamento de Estado, Patrick Ventrell, disse que as acusações de Morales são "infundadas" e que os programas da Usaid na Bolívia desde 1964 visam "ajudar o governo boliviano a melhorar a vida dos cidadãos comuns", em total cooperação com as autoridades locais. Para o porta-voz, a expulsão da agência é uma demonstração da falta de interesse de Morales de manter uma relação "baseada no respeito mútuo, diálogo e cooperação".

No dia 17 de abril o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, disse durante uma audiência no Congresso que "o Hemisfério Ocidental é nosso quintal, é essencial para nós". "O que ele quis dizer é que nós somos vizinhos", tentou explicar Ventrell hoje. As informações são da Associated Press.

Tudo o que sabemos sobre:
BolíviaEUAexpulsãoUsaid

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.