Bolívia firma protocolo de adesão e dá passo crucial para entrar no Mercosul

Novo sócio. Assinatura de documento abre processo para que bolivianos se convertam n o sexto membro pleno do bloco sul-americano; aprovação dos Legislativos de todos os demais integrantes, condição essencial para o ingresso, pode levar até 4 anos

LISANDRA PARAGUASSU , BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

08 de dezembro de 2012 | 02h03

Em um movimento que surpreendeu até mesmo os negociadores, a Bolívia deu ontem um passo importante para se tornar o sexto país-membro do Mercosul. A assinatura do protocolo de adesão, que dá início à entrada do país no bloco, foi celebrada ontem, no final da plenária da Cúpula de Chefes de Estado do bloco, ontem, em Brasília, e vai agora para a aprovação dos Congressos dos demais países-membros.

O cronograma apresentado ontem prevê que em até quatro anos a Bolívia esteja plenamente incorporada ao mercado comum. No entanto, o Paraguai - cujo Congresso jamais deu aval à entrada da Venezuela no grupo sul-americano - anunciou, na quinta-feira, que não apoia a entrada de La Paz. Até o dia anterior, o governo boliviano não havia enviado sinais de que tomaria uma decisão tão rápida.

Dois dias antes, o subsecretário para América do Sul, Central e Caribe, o embaixador Antonio Simões, negou categoricamente que haveria, nessa reunião, qualquer adesão de novos membros. Ontem, outro diplomata que acompanhou as conversas confirmou que as negociações foram "muito rápidas".

Esperava-se que o presidente Evo Morales chegasse ao Brasil com a decisão de entrar, já que, na semana passada, ele dissera, em La Paz, que planejava a adesão desde que pudesse manter o país também na Comunidade Andina de Nações (CAN).

No entanto, imaginava-se que seria necessário um período de negociação dos termos de entrada. Evo, porém, ao tomar conhecimento do protocolo assinado pela Venezuela, em 2006, disse que não teria nada a acrescentar e poderia assinar o documento de adesão ontem mesmo.

A Bolívia foi convidada pela primeira vez para integrar o bloco em 2007. O convite foi repetido em 2011.

Muito mais por questões internas do que por falta de interesse, as conversas não avançaram. Até este ano, Evo não tinha segurança para bancar a adesão, já que em seu país a entrada no Mercosul não é consensual.

A decisão de La Paz terminou sendo apressada em razão das dificuldades enfrentadas pela CAN.

Depois que Chile, Peru e Colômbia fizeram acordos de livre-comércio com os EUA e começaram a negociar o desenvolvimento da Aliança do Pacífico - que inclui ainda o México -, o crescimento do bloco terminou limitado, o que fez os países da região procurarem alternativas de integração. Ontem, os demais presidentes do bloco saudaram a decisão da Bolívia. A presidente Dilma Rousseff, em seu discurso - escrito antes de saber da decisão de Evo -, saudou o "início de um diálogo estruturado com o Mercosul".

"A entrada da Bolívia torna o Mercosul muito mais forte. Eu queria, em nome de todos os países, dar as boas-vindas ao nosso querido presidente Evo Morales e ao povo boliviano." Com um PIB de US$ 24,6 bilhões, a Bolívia seria o segundo país mais pobre do Mercosul - o Paraguai continuará ocupando a última posição, com um PIB de US$ 21,2 bilhões.

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