Bolívia manobra para manter senador no país

Ministério Público ameaça processar qualquer autoridade que tente retirar o opositor Roger Pinto da Embaixada do Brasil em La Paz

LA PAZ, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2012 | 03h03

O procurador-geral da Bolívia, Mario Uribe, disse ontem que tomará medidas legais contra qualquer autoridade que conceder um salvo-conduto para o senador opositor Roger Pinto, asilado desde maio na Embaixada do Brasil em La Paz. Pinto diz sofrer perseguição política por parte do governo de Evo Morales. A chancelaria boliviana está sendo pressionada a não permitir a saída do senador da embaixada.

"Entendemos que o pedido de salvo-conduto para o senador terá consequências", disse Uribe, de acordo com a imprensa boliviana. "O Ministério Público tomará ações legais contra servidores que não colaborarem."

Ainda de acordo com o procurador, cabe ao Ministério Público defender os direitos do Estado boliviano. "Estamos em uma luta contra a corrupção", disse. "Daremos prosseguimento aos processos dentro do marco da lei. Seremos inflexíveis." A posição do Ministério Público coincide com a do governo boliviano.

Na terça-feira, a ministra de Comunicações, Amanda Dávila, disse ao jornal boliviano La Razón que cabe ao senador decidir sobre seu futuro. "Como o Brasil não voltará atrás e a Bolívia seguirá as regras internacionais, a única possibilidade de o senhor Pinto sair da embaixada é por vontade própria para se defender nos tribunais", declarou.

O senador, ex-governador do Departamento (Estado) de Pando, é acusado de corrupção, desacato e responde a 20 processos. Na segunda-feira, ele enviou uma carta à imprensa boliviana na qual acusa o governo de negar-lhe o salvo-conduto para mantê-lo "preso" na embaixada. "Podem me privar da liberdade de movimento, mas não de ser verdadeiramente livre", disse. "O presidente abusa do poder, mas sabe que há coisas mais importantes. O poder não lhe dá o direito de conseguir tudo o que quer."

Crise bilateral. Para analistas, a recusa boliviana em conceder o salvo-conduto - considerado praxe em casos de asilo diplomático - pode piorar. "O caso criou um foco de tensão excessivo", disse o ex-chanceler boliviano Armando Loaiza. "Por um assunto que seria facilmente resolvido, se está colocando em perigo a relação bilateral."

Segundo o analista Fernando Salazar, um "caso menor" está criando uma tensão desnecessária. "O governo Evo exagerou e transformou o asilo em uma questão de Estado", afirmou Salazar. / AFP e EFE

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