Bolívia quer ajuda da OEA em impasse sobre acesso ao mar

A Bolívia pedirá ajuda à Organização dos Estados Americanos (OEA) para que o país obtenha uma saída para o Pacífico. A consulta acontecerá durante a visita a La Paz do secretário-geral do organismo, o chileno José Miguel Insulza, nesta quinta-feira. Insulza foi convidado pelo presidente boliviano, Evo Morales, no dia 23 de março, durante os atos que lembraram os 127 anos da Guerra do Pacífico com o Chile, em que a Bolívia perdeu 120 mil quilômetros quadrados de território e 400 quilômetros de costa. O ministro da Presidência boliviano, Juan Ramón Quintana, disse que o Governo pedirá a Insulza que a OEA recupere "o papel principal que teve em 1979", quando uma resolução do organismo obrigou Bolívia e Chile a encontrarem uma solução para o histórico litígio. "A OEA terá que justificar sua existência para a Bolívia a partir da contribuição a esta necessidade, a esta reivindicação histórica do povo boliviano", disse Quintana em declarações publicadas por jornais locais. A Assembléia da OEA, que em 1979, na cidade de La Paz, pediu aos dois países que negociassem, foi ofuscada pelo golpe militar liderado pelo general boliviano Alberto Natusch Busch no dia 1º de novembro desse mesmo ano, poucas horas após a reunião continental. Um ano antes, os dois países haviam rompido as relações em nível de embaixada, após o fracasso entre os então ditadores da Bolívia, Hugo Banzer, e do Chile, Augusto Pinochet, e desde então só trocam cônsules. Novo rumo Agora Morales acredita que a disputa tomará outro rumo, depois de admitir estar disposto a conversar de forma bilateral sobre o caso, algo que Santiago sempre reivindicou para começar um diálogo "sem exclusões". O líder boliviano pediu uma reunião urgente da OEA na mesma época em que convocou publicamente Insulza, em março, mas depois disse que o tratamento bilateral seria priorizado e que rebaixaria o tom da reivindicação internacional. A estratégia definitiva da Bolívia para as conversas com o Governo da presidente chilena, a socialista Michelle Bachelet, batizado de "Plano Chile", terá um caráter integral, segundo o ministro de Relações Exteriores, David Choquehuanca. O diálogo deve considerar também soluções de temas como o conflito existente sobre as "águas do Silala", que, segundo La Paz, estão em território boliviano, dando direito, assim, a reivindicar o pagamento de royalties pelo uso no norte do Chile. A Bolívia também pretende substituir o tratado assinado com o Chile em 1904, que selou o caráter mediterrâneo do país, mas Santiago se opõe categoricamente à revisão de tratados. Às vésperas da chegada de Insulza, Morales nomeou na terça-feira o novo cônsul-geral em Santiago, José Enrique Pinelo, até agora dirigente de uma associação de pequenos produtores e sem experiência diplomática. Pinelo disse em sua apresentação à imprensa que o "Plano Chile" será "homogêneo, compacto, de grande valor", para que se transforme em política de Estado e não somente do atual Governo. Por outro lado, o Governo de Morales preferiu manter sua cautela diante das recentes declarações do chanceler chileno, Alejandro Foxley, que afirmou que Santiago não exclui conceder à Bolívia uma saída soberana para o Pacífico. Segundo Choquehuanca, a Bolívia não pode "andar no ritmo" de declarações na imprensa, mas gerar uma estratégia própria, consultando a maior quantidade de organizações do país. Outras demandas A reivindicação marítima não será o único assunto que Morales discutirá com Insulza, pois também estão na agenda o fortalecimento da democracia na região, a luta contra a pobreza e o narcotráfico, e os problemas indígenas, de acordo com o ministro de Exteriores. Morales viajou nesta quarta-feira a Assunção para se reunir com os presidentes do Paraguai (Nicanor Duarte), Uruguai (Tabaré Vázquez) e Venezuela (Hugo Chávez), para negociar a integração energética sul-americana.

Agencia Estado,

19 Abril 2006 | 17h00

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