Carlos Garcia Rawlins / Reuters
Carlos Garcia Rawlins / Reuters

Após renúncia de Evo, Bolívia tem incêndios, saques e ataques a residências

Rússia fala em onda de violência orquestrada pela oposição para forçar o presidente a deixar o cargo; EUA pedem que lideranças civis mantenham país sob controle

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de novembro de 2019 | 02h37
Atualizado 11 de novembro de 2019 | 11h34

LA PAZ - A noite de domingo, 10, foi de caos nas ruas de La Paz, capital da Bolívia, após a renúncia de Evo Morales. Ônibus foram incendiados e casas de líderes civis foram atacadas.

O serviço de transportes municipais de La Paz denunciou no Twitter que manifestantes "entraram em nossas instalações e estão queimando os ônibus". Segundo a imprensa boliviana, 15 veículos que estavam no pátio de manutenção foram incendiados.

O líder de um grupo de cidadãos (Conade), Waldo Albarracín, que incentivou o pedido de renúncia do presidente, denunciou que "uma multidão de masistas" (membros do MAS, partido de Evo) havia ateado fogo em sua casa.

A residência do ex-ministro da Presidência, Juan Ramón Quintana, também foi revistada por indivíduos que roubaram toda a sua documentação, disse ele. 

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La Paz e as cidades de El Alto e Cochabamba, entre outras dentre as maiores do país, registraram vários atos violentos, e muitos bolivianos estão pedindo ajuda à polícia e às Forças Armadas nas redes sociais. 

Tomada da embaixada da Venezuela

A sede da embaixada da Venezuela na Bolívia foi tomada por pessoas encapuzadas após Evo anunciar sua renúncia, informou a chefe da missão, Crisbeylee González.

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"Com dinamite, encapuzados com escudos tomaram a embaixada da Venezuela na Bolívia. Estamos bem e seguros, mas querem nos massacrar. Nos ajudem a denunciar essa barbárie", disse a diplomata à agência estatal ABI.

Em El Alto, onde está localizado o aeroporto que serve La Paz, um grupo de pessoas saqueou uma fábrica, acreditando que ela pertencia ao líder dos protestos contra Evo, o líder opositor Luis Fernando Camacho. Dias antes, a empresa já havia negado que ele tivesse ações da empresa. 

Rússia denuncia onda de violência

A Rússia denunciou nesta segunda-feira, 11, uma onda de violência orquestrada pela oposição boliviana para forçar o presidente Evo Morales a renunciar ao cargo, uma situação que, segundo Moscou, lembra "um golpe de Estado".

"Uma onda de violência provocada pela oposição impediu Evo Morales de terminar seu mandato presidencial", afirmou o Ministério russo das Relações Exteriores.

Em um comunicado, o ministério indica que o governo boliviano "queria uma solução baseada no diálogo político, mas os acontecimentos lembram um golpe de Estado". Além disso, pediu a todas as forças políticas bolivianas que encontrem uma "via constitucional para sair da crise".

A Rússia é aliada vários governos de esquerda da América Latina, começando por Cuba e Venezuela.

EUA pedem que lideranças mantenham país sob controle

Os Estados Unidos estão monitorando a situação política na Bolívia e pedem que as lideranças civis mantenham o país sob controle, disse uma autoridade do Departamento de Estado americano nesta segunda.

"É crucial que a liderança civil constitucionalmente concebida mantenha o controle durante a transição", afirmou a autoridade, sob condição de anonimato.

"Pedimos a todos que se abstenham de violência durante esse período tenso e continuaremos a trabalhar com nossos parceiros internacionais para garantir que a democracia e a ordem constitucional da Bolívia prossigam", acrescentou.

UE pede moderação

Já a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, pediu moderação a todas as partes no território boliviano. "Após os acontecimentos na Bolívia, gostaria de expressar claramente o nosso desejo de que todas as partes do país exerçam moderação e responsabilidade", afirmou.

Ela também pediu a todos no país que o "dirijam de maneira pacífica e tranquila para novas eleições, eleições confiáveis que permitam ao povo da Bolívia expressar sua vontade democrática".

Evo Morales, de 60 anos, o presidente latino-americano que estava há mais tempo no poder, renunciou no domingo após violentos protestos, e depois de perder o apoio do Exército e da polícia. / AFP, EFE e REUTERS

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