Após pedido da Polícia, Exército vai intervir para conter protestos na Bolívia

Após pedido da Polícia, Exército vai intervir para conter protestos na Bolívia

Pontos de comércio foram atacados e algumas propriedades, incendiadas; em El Alto, aos gritos de 'guerra civil', multidão de apoiadores de Evo seguia para La Paz

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de novembro de 2019 | 19h59
Atualizado 12 de novembro de 2019 | 12h05

LA PAZ -  Em resposta ao pedido da Polícia da Bolívia por uma intervenção, as Forças Armadas bolivianas decidiram realizar operações conjuntas para conter a violência desatada em várias regiões do país, segundo o comandante-geral William Kaliman.  "O comando militar das Forças Armadas organizou operações conjuntas com a Polícia para evitar sangue e luto na família boliviana", disse Kaliman, em uma mensagem pela TV. 

Mais cedo nesta segunda-feira, a Polícia da Bolívia havia pedido a intervenção do Exército diante de uma situação "insustentável", ao se ver oprimida para conseguir conter a violência. Um chefe da Polícia afirmou à imprensa em La Paz que a corporação não estava disposta a ter "mortos em suas costas" ao se ver oprimida por grupos violentos com armas de fogo e "intenção de matar". 

O dia seguinte à renúncia do presidente Evo Morales foi de mais violência no país. Novos protestos eclodiram tanto da direita como da esquerda - alguns pacíficos, outro não. Em La Paz, políticos trabalhavam para encontrar uma solução para preencher o vazio de poder deixado pela renúncia, em meio a uma crise constitucional. 

Simpatizantes do líder socialista tomados pela ira fizeram barricadas para bloquear algumas estradas que levam ao aeroporto principal do país, enquanto a tensão tomava conta da Bolívia. Ao mesmo tempo, seus opositores bloqueavam a maioria das ruas que davam acesso à praça principal de La Paz, em frente ao Congresso e ao palácio presidencial.

Durante a madrugada, gangues rivais se enfrentaram e tomaram as principais vias do país. Pontos de comércio foram atacados e algumas propriedades, incendiadas. Escolas e lojas permaneceram fechadas nesta segunda-feira e o transporte público ficou praticamente parado. 

Centenas de apoiadores de Evo avançavam nesta segunda-feira em direção a La Paz, partindo da cidade vizinha de El Alto. A marcha saiu à tarde do reduto do ex-presidente indígena. No Twitter, o perfil da emissora venezuelana Telesur postou vídeos que mostravam uma multidão percorrendo a cidade e gritando "guerra civil". 

A chegada de partidários de Evo a La Paz fez surgir o temor de que ocorram choques entre seus simpatizantes e opositores, protagonistas dos atos das últimas semanas que antecederam a renúncia do ex-presidente. 

Na maior parte do dia, a polícia estava de braços cruzados, exigindo a saída do comandante Yuri Calderón. Ela estava ausente das ruas da Bolívia desde os motins nos quartéis em três cidades na sexta-feira. Vídeos que circulavam pelo Twitter mostravam alguns oficiais recortando as insígnias de seus uniformes.

Os policiais só começaram a atuar contra atos de vandalismo depois que Calderón renunciou, mas já era tarde demais. 

Para tentar conter saques e incêndios em casas e lojas, muitos moradores montaram barricadas. Duas delegacias foram incendiadas. Veículos, estações do teleférico de La Paz e postos de gasolina também foram destruídos. Ao todo, 20 pessoas ficaram feridas apenas em La Paz. 

Os distúrbios, porém, foram registrados em várias outras cidades. Uma das formas mais comuns de protesto é incendiar residências de políticos e figuras importantes. A casa de Evo em Cochabamba foi pichada e destruída na noite de domingo. Carlos Mesa, líder opositor e rival de Evo na eleição de outubro, também reclamou que sua casa em Santa Cruz de la Sierra foi atacada por vândalos.

As Forças Armadas bolivianas disseram nesta segunda-feira que lançaram um plano para proteger os serviços públicos “essenciais” do país em meio ao caos. O plano conhecido como Sebastián Pagador foi lançado devido à “escalada de violência e vandalismo que vem ocorrendo na população e com o objetivo de manter e proteger as áreas e centros vitais do país”, de acordo com um comunicado das Forças Armadas.

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Evo pediu a médicos, enfermeiras e professores que retornassem aos seus postos para oferecer os serviços à população. O ex-presidente manifestou apoio a seus simpatizantes e denunciou a morte de alguns, o que não foi confirmado pelas autoridades. 

"Um dia depois do golpe civil-político-policial, a polícia está repremindo com munição e causando mortes e feridos em El Alto", postou Evo no Twitter. "Minha solidariedade com as vítimas inocentes, uma delas uma jovem garota, e ao povo de El Alto, que defende a democracia."  / REUTERS, AP, AFP, EFE e W. POST

 

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