David Mercado/ Reuters
David Mercado/ Reuters

Bolívia teve 113 casos de feminicídio apenas em 2019

Incidentes se concentram na capital La Paz; governo quer por em prática plano de conscientização que fez em parceria com a ONU

Redação, O Estado de S. Paulo

22 de dezembro de 2019 | 05h18

A Bolívia registrou um total de 113 feminicídios, dos quais um terço corresponde a La Paz, a capital administrativa do país, informou o escritório da Procuradoria Geral do Estado em comunicado no último sábado, 21. Além dos 35 casos registrados na cidade, também foram contabilizados mais 24 em Cochabamba e outros 21 em Santa Cruz.

Ao todo, essas três cidades concentram 70% dos feminicídios cometidos em 2019. Nos últimos 10 dias, a Bolívia foi abalada com sete crimes de gênero, alguns dos quais foram especialmente cruéis: 88 esfaqueadas em um caso e 41 em outro.

Em 2018, os assassinatos devido ao sexo, no país, chegaram a contabilizar 130 casos, segundo o próprio Ministério Público. O crime de feminicídio é punível pela lei boliviana com 30 anos de prisão se direito a perdão.

A presidente interina, Jeanine Áñez, apresentou na sexta-feira, 20, a Estratégia Nacional de Prevenção da Violência contra Meninas, Crianças, Adolescentes e Mulheres, que será implementada em coordenação com vários ministérios, a polícia e os municípios, além de ser apoiada pela Organização das Nações Unidas.

"O lar, a escola e a comunidade, nessa ordem, são os espaços onde há mais agressão", explicou Añez. A estratégia inclui ações em seis áreas: casas, escolas, espaços de trabalho, instituições, mídias e comunidade.

Desde 2013, a Bolívia tem uma lei que pune a violência de gênero, mas suas duras sanções falharam em reduzir substancialmente as agressões. "Eles estão nos matando" e "nenhuma mulher a menos", são alguns dos slogans adotados pelas organizações feministas, contra os cada vez mais frequentes casos de feminicídio no país sul-americano./ AFP

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