Bolívia urbana limita avanço de Evo

Bolívia urbana limita avanço de Evo

Aliados do presidente perdem em 7 das 10 principais cidades nas eleições regionais, apesar de conquistarem mais 2 departamentos

Afp, colaborou Ruth Costas, O Estado de S.Paulo

06 de abril de 2010 | 00h00

LA PAZ

O presidente boliviano, Evo Morales, obteve uma vitória apenas parcial na eleição regional de domingo. Segundo projeções de TVs locais, feitas com a contagem rápida dos votos, aliados de Evo venceram em pelo menos cinco dos nove departamentos (províncias) bolivianos, mas perderam em sete das dez principais cidades - incluindo La Paz. Para analistas, o resultado indica que a população quer diálogo entre governo e oposição.

"O presidente avançou em alguns departamentos, mas por causa do apoio rural. A Bolívia urbana mostrou que quer um freio no projeto de Evo", disse ao Estado o cientista político boliviano Gonzálo Chávez, da Universidade Católica Boliviana.

De acordo com as projeções, os governistas do Movimento ao Socialismo (MAS) mantiveram o controle dos Departamentos de La Paz, Oruro, Potosí, Cochabamba e arrebataram Chuquisaca da oposição. Eles perderam para opositores em Santa Cruz e Tarija - onde estão os maiores parques agrícolas e industriais e as principais reservas de gás da Bolívia. E os resultados ainda estavam incertos ontem para o Departamento de Pando, até agora controlado pela oposição.

No domingo, Evo declarou seu partido vencedor, argumentando que ele conseguiu eleger mais governadores. Mas o presidente não mencionou a derrota na maior parte das capitais dos Departamentos. Até em El Alto - cidade-satélite de La Paz conhecida por ser um reduto tradicional do MAS - o candidato do presidente venceu com apenas 39% dos votos. Em outras votações Evo teve mais de 70%.

Em La Paz, a derrota do candidato governista ajuda a ascensão política do dissidente Juan del Granado, o atual prefeito, que elegeu seu sucessor, Luis Revilla. Ex-aliado de Evo, Granado é um dos fundadores do chamado Movimento Sem Medo, que também venceu na cidade de Oruro. O candidato do MAS, Félix Rojas, estava tão certo da vitória que a celebrou antecipadamente. Essa foi a sexta eleição realizada na Bolívia desde 2005 - e todas as anteriores foram vencidas por Evo com grande facilidade. Em dezembro, ele foi reeleito com 64% dos votos.

A oposição regional tem sido o maior empecilho para a implementação do projeto socialista-indigenista de Evo. O presidente, que já controla o Legislativo, encarava a eleição do domingo como uma oportunidade para derrubar esse foco de resistência. Para o sociólogo Ricardo Paz, da Universidade San Andrés, a votação "restabeleceu um certo equilíbrio político na Bolívia, quando o país caminhava para a hegemonia de Evo".

Para entender

A oposição regional é o maior freio para Evo Morales na Bolívia. Ela tem o controle assegurado das duas regiões mais ricas do país - Santa Cruz (com 30% do PIB) e Tarija (onde estão as reservas de gás). Seus líderes locais têm uma ideologia liberal pró-mercado e exigem mais autonomia. Em 2008, organizaram protestos que quase acabaram em guerra civil.

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