Bolívia vai negociar saída para o mar diretamente com o Chile

O governo da Bolívia decidiu negociar diretamente com o Chile sua reivindicação de uma saída para o Pacífico, declarou o seu vice-presidente, Alvaro García Linera. Segundo Linera, o governo boliviano definiu três linhas gerais para resolver a questão: a "firme posição de saída soberana para o Oceano Pacífico, o tratamento bilateral do tema e o apoio a uma diplomacia dos povos". Até agora, La Paz insistia em levar a reivindicação a fóruns internacionais, principalmente a Organização dos Estados Americanos (OEA), tentando obrigar os líderes chilenos a negociar sob a pressão de terceiros. O próprio presidente Evo Morales, há três semanas, havia pedido publicamente uma convocação de urgência da OEA para avaliar a questão. Secretário-geral Segundo o vice-presidente, as três linhas gerais estipuladas pelo governo serão expostas por Morales ao secretário-geral da OEA, o chileno José Miguel Insulza, que vai visitar La Paz no dia 20 de abril. Insulza vai à sede do governo boliviano a convite de Morales para ouvir pessoalmente o pedido. O presidente boliviano pretende apelar para a identificação ideológica entre os dois, que são filiados aos partidos socialistas de seus países. Na assembléia de 1979, em La Paz, a OEA aprovou uma resolução recomendando ao Chile retomar as conversações com a Bolívia sobre o conflito. Os dois países não mantêm relações diplomáticas em nível de embaixadas há 19 anos, desde que a Bolívia retirou seu representante por considerar que as negociações não tinham perspectivas de atender ao seu pedido de uma saída para o mar. Na Guerra do Pacífico, o Chile ficou com os 120 mil quilômetros quadrados do litoral boliviano. O conflito foi encerrado com o Tratado de Paz e Amizade de 1904, que as autoridades chilenas citam sempre que se discute o assunto.

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