Bolívia volta a atacar siderúrgica brasileira

Nas vésperas do início das negociações com os líderes do Departamento de Santa Cruz, o governo da Bolívia volta a atacar a siderúrgica brasileira EBX. Em uma reportagem publicada neste domingo pelo jornal El Deber, o governo reiterou sua decisão de expulsar a empresa do país. Segundo o texto, o governo "ratificou uma vez mais que está trabalhando nas medidas que adotará para expulsar da Bolívia a EBX, medidas que serão executadas nos próximos dias". O ministro da Previdência, Juan Ramón Quitana, disse ao jornal que o governo "não negociará sobre nenhuma circunstância a permanência da empresa no país, o governo não negocia com empresas ilegais que transgridem a Constituição". Já na sexta-feira, em um anúncio intitulado "EBX, uma estrangeira que procura dividir os bolivianos", o presidente Evo Morales tinha afirmado que a empresa será expulsa. Segundo o jornal, a EBX começa a ficar isolada na batalha com o governo. Ele informou que os líderes da Província de Germán Busch adotaram a atitude de não defender a empresa, mas o empreendimento. Licença ambiental O complexo siderúrgico instalado na Zona Franca, próximo à fronteira com o Brasil, já recebeu US$ 50 milhões em investimento. Dos quatro fornos para produção de ferro gusa só um está montado. Um segundo teve a montagem iniciada e outros dois estavam nas fundações. A meta era iniciar a produção no segundo semestre. A decisão do governo de negar a licença ambiental à empresa revoltou a população de Germán Busch. Consideram inaceitável a intervenção do governo e a proibição de um projeto siderúrgico. Segundo Edil Gericke, presidente do comitê de Puerto Suarez, a expulsão da empresa provocará uma rebelião na região. "Pode ter certeza, a região defende a permanência da EBX. Ao contrário do que o governo diz, não houve qualquer descumprimento das leis locais, tampouco o empreendimento é nocivo ao meio ambiente." Greve Baseando-se nas últimas declarações de Morales, a perspectiva é a de que a região terá uma resposta negativa para as reivindicações centrais. Se isso ocorrer é certo que Morales terá de enfrentar com pouco mais de 100 dias de governo uma greve geral de um dos principais departamentos do país, responsável por 30% do PIB nacional. O "paro cívico" na região equivaleria a uma greve geral do Estado de São Paulo. Segundo Herman Antelo, presidente do Comitê Pró-Santa Cruz - organização que reúne os comitês cívicos de todo o Departamento - , a negociação com o governo não suspendeu qualquer item da resolução que a assembléia-geral dos comitês tirou na semana passada. O principal é o de organizar uma greve de 24 horas se Morales não aceitar as reivindicações. Além da exigência de que o governo seja mais generoso no repasse de recursos para saúde e educação, a região exige medidas para a geração de empregos. Para tanto, consideram fundamental um pronunciamento do governo que assegure a validade e garanta a conclusão da licitação para a exploração da Jazida de Mutún, onde há 40 bilhões de toneladas de minério de ferro. Há três empresas que concorrem neste momento. A japonesa Nippon Steel, o grupo argentino Techint, e a MMX - Mineração e Metálicos S.A., controlada pela EBX, de Eike Batista.

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