Bolivianos desafiam ameaças e vão às urnas

Desafiando as ameaças de sabotagem e apelos de boicote por parte de grupos radicais, os bolivianos compareceram em massa hoje (18) ao referendo para decidir o futuro da exploração dos recursos energéticos do país convocado pelo governo, informou o ministro do Interior, Alfonso Ferrufino."Pelo menos 90% da população apoiou a jornada democrática", disse ele numa avaliação preliminar da votação que, com exceção de dois incidentes, transcorreu de forma tranqüila em todo o país. A Bolívia tem 4,5 milhões de eleitores aptos a votar.No encerramento da votação às 16h locais (17h em Brasília), o presidente Carlos Mesa, respirou aliviado: "Foi um parto difícil mas finalmente demos à luz um referendo democrático, que é o importante."Nem mesmo no sublevado subúrbio de El Alto (parte mais elevada da capital boliviana), a população, na maioria índios aimarás, atendeu aos chamados de sabotagem e boicote do referendo e a uma greve de 72 horas da Federação de Juntas Vicinais (Fejuve).A entidade rejeitara a consulta popular, pedindo uma estatização pura e simples do gás boliviano extraído e comercializado por empresas multinacionais.Convocado pelo presidente Mesa, o referendo pediu basicamente aos bolivianos que decidissem se desejavam ou não a estatização da exploração e comercialização dos 55 trilhões de metros cúbicos de gás do país."Vamos esperar agora o resultado da votação para elaborar e apresentar uma nova lei de hidrocarburetos", disse Mesa.Foi em El Alto que ocorreram os incidentes mais graves. Manifestantes armados de paus e pedras conseguiram interromper por alguns minutos a votação em uma sessão eleitoral do bairro de Senkata. Foram expulsos do local por forças de segurança.Pouco depois, o mesmo grupo voltou a agir ali, bloqueando as vias de acesso ao centro de La Paz e agredindo observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA), destacados para fiscalizar o referendo. O chefe da missão da OEA, Moisés Benamor classificou o incidente de isolado.Esses atos de violência não se repetiram em nenhuma outra área de El Alto, onde os índios aimarás, normalmente dedicados ao comércio, abriram suas lojas ou barracas nas principais ruas.As autoridades bolivianas classificaram esse comportamento de "mostra evidente" do fracasso da política anti-referendo da Fejuve, cujo presidente, Abel Mamani, decidiu mudar sua estratégia.Não vai convocar mais greves gerais, mas concentrar sua campanha no boicote ou na anulação do voto nas próximas eleições. Outro líder da entidade radical, Roberto de la Cruz, chegou a ser hostilizado na rua pelos eleitores.

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