Bolsa de Valores do Peru registra grande queda após vitória de Humala

Investidores vivem incerteza enquanto futuro presidente não define diretrizes econômicas

Associated Press

06 de junho de 2011 | 19h13

LIMA - A Bolsa de Valores de Lima caiu 12,45% nesta segunda-feira, 6, o que é considerado efeito da incerteza que ronda as políticas econômicas do Peru com a vitória do ex-militar Ollanta Humala. O nacionalista venceu Keiko Fujimori na disputa pela presidência do país sul-americano.

 

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Poucos minutos após a abertura dos mercados, a queda já era de 8,71%, o que levou as autoridades a suspender as atividades por duas horas. Quando as transações foram retomadas, a baixa se acentuou ante a massiva venda de ações. "É uma queda atípica, um fenômeno local pela incerteza dos acionistas", disse o corretor Arlin Laura, do Grupo Coril.

 

O acionista estimou que essa tendência deve continuar até que Humala dê algum sinal tranquilizador, como a nomeação de alguma personalidade próxima dos mercados como seu ministro da Economia. Empresários e políticos peruanos já estão pedindo medidas do tipo ao futuro presidente. O sol, a moeda peruana, também registrou queda de 1,02% ante o dólar americano.

 

Luis Felipe Arizmendi, presidente da GPI Valores, corretora da bolsa, lamentou a venda das ações "a qualquer preço". "Há pessoas assustadas, preocupadas. Tem gente que considera que enquanto não se saiba exatamente o que vai acontecer com o plano econômico de Humala, quem serão os principais condutores da economia, o melhor é vender", considerou.

 

Segundo os últimos dados emitidos pelo Escritório Nacional de Processos Eleitorais, aos 90,5% dos votos apurados, Humala, da coligação Gana Perú, tinha 51,36%, enquanto Keiko, da Fuerza 2011, tinha 48,63%.

 

Humala, de 48 anos, gera temores no mercado dos investidores por sua postura radical contra o modelo de livre mercado adotado no Peru nos últimos anos, o que tem conferido ao país uma das maiores taxas de crescimento entre os países latino-americanos. Durante a campanha, porém, ele moderou seu discurso e prometeu consolidar o ritmo de desenvolvimento, mas dando ênfase a políticas sociais.

 

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