Clauber Cleber Caetano/PR
Clauber Cleber Caetano/PR

Bolsonaro afasta ruptura unilateral com possível governo kirchnerista

Presidente alerta que relação entre Brasil e Argentina deverá ser ‘conflituosa’ caso vença a chapa de Fernández, que tem Cristina como vice; ele também diz que vitória da ‘esquerdalha’ poderia transformar o Rio Grande do Sul em uma Roraima

Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

12 de agosto de 2019 | 21h43

BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta segunda-feira, 12, que não quer romper unilateralmente com a Argentina caso Alberto Fernández ganhe a eleição, mas voltou a fazer críticas ao cabeça da chapa na qual a ex-presidente Cristina Kirchner é vice. Bolsonaro disse que Fernández já deu “sinais” de que pode rever a participação da Argentina no Mercosul e a relação entre os países deve ser “conflituosa” se ele for eleito.

“A gente vai ver como é que fica a situação. Ninguém quer... eu romper unilateralmente, mas ele mesmo, o candidato cujo partido ganhou as prévias, falou que quer rever o Mercosul. Esse é o primeiro sinalizador de que vai ser uma situação bastante conflituosa”, disse Bolsonaro após chegar ao Palácio da Alvorada.

“Se a esquerdalha voltar ao poder na Argentina, corremos o risco de ter, no Rio Grande do Sul, um novo Estado de Roraima”, afirmou o presidente pela manhã em evento de liberação de um trecho duplicado da BR-116 no Rio Grande do Sul. Ele fez referência à crise migratória venezuelana que afeta diretamente Roraima.

“Se eu não me engano, ele (Fernández) esteve em Curitiba visitando o (ex-presidente) Lula também. Quer dizer, (ele) está dando sinalizações mais do que precisas de que não quer se alinhar com aquilo que no momento nos alinhamos com Macri, com Marito (Mario Abdo Benítez, presidente do Paraguai) e com o presidente do Uruguai”, avaliou. 

Em julho, Fernández visitou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e disse que a prisão do ex-presidente “é uma mancha para o Brasil”. Pelo Twitter, Lula parabenizou Fernández, que agradeceu o apoio do ex-presidente. O candidato também não descartou a possibilidade de revisar o acordo assinado entre o Mercosul e a União Europeia. Os 15 pontos de vantagem que Fernández obteve sobre o presidente Mauricio Macri na eleição primária no fim de semana, o colocaram em vantagem expressiva até a votação geral em 27 de outubro. 

Questionado se pretende “ajudar” Macri de alguma forma, Bolsonaro respondeu que não se trata disso. “Não é ajudar o Macri ou não ajudar. Você pode ver, o próprio dólar, acho que subiu 10% se não me engano, 10% a Bolsa (de Valores), os juros também foram lá para cima. O sinalizador está aí. Em um país com esses números a tendência é o quê? Se transformar em uma nova Venezuela. E nós não queremos o mal para nossos irmãos aqui no Sul”, declarou.

Guia para entender as prévias da eleição na Argentina 

“Se realmente for essa política de Cristina Kirchner, mesmo como vice (na chapa de Fernández), ligada ao Foro de São Paulo, ligada a (Hugo) Chávez no passado, a (Nicolás) Maduro, a Fidel Castro que se foi, ligado ao que há de pior aqui na América Latina, a tendência é desgraça e caos.”

Um dos generais ligados ao Palácio do Planalto disse nesta segunda-feira que o governo “não deve queimar pontes” e deve manter uma “postura aberta e não ideológica” ante a eventual eleição de Fernández. Para ele, a queda de 46,7% nas exportações “para nosso maior parceiro continental” entre janeiro e abril deve ser vista como um alerta, “no momento em que os fundamentos da economia brasileira começam a se consolidar”. / COLABOROU ROBERTO GODOY

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