Abir Sultan / EFE
Abir Sultan / EFE

Bolsonaro cancela último compromisso em Israel e antecipará volta ao Brasil

Encontro com brasileiros em cidade a cerca de 80km de Jerusalém não acontecerá por questões de segurança e logística, segundo fontes do governo; em evento com empresários, premiê israelense diz que com Bolsonaro Brasil 'pode se tornar maior'

Cristiano Dias e Célia Froufe, Enviados Especiais / Jerusalém

02 de abril de 2019 | 06h07
Atualizado 02 de abril de 2019 | 10h51

JERUSALÉM - O presidente Jair Bolsonaro cancelou seu último compromisso em Israel. Ele visitaria na quarta-feira, 3, Raanana, uma comunidade brasileira a cerca de 80 km de Jerusalém, mas, por questões de segurança e logística, o evento foi cancelado, segundo fontes do governo brasileiro. 

O porta-voz da Presidência da República, Otávio Rêgo Barros, minimizou a mudança de planos. A previsão era de que a saída da comitiva seria às 11h40 de quarta (hora local) e a chegada ao Brasil, às 20h40 (horário de Brasília).

"O que estamos acordando por questões logísticas é trazer cerca de 25 brasileiros que moram na comunidade aqui (no hotel onde está a comitiva), às 18 horas de hoje (terça) ainda, para que o presidente estreite laços e, ao mesmo tempo, antecipe o retorno amanhã", explicou.

O general lembrou que, no dia seguinte, Bolsonaro já tem agendada uma série de encontros com parlamentares, como o presidente disse na segunda-feira em Jerusalém. Com isso, de acordo com o porta-voz, a administração visa ao seu objetivo principal neste momento, que é o andamento mais célere da reforma da Previdência.

Terceira dia em Israel

No terceiro dia da visita oficial a Israel, Bolsonaro se reuniu na manhã desta terça-feira, 2, com empresários brasileiros e israelenses. Durante o encontro, ele disse que o novo governo assumiu em uma "situação inesperada" e que a grande imprensa era um fator contrário a sua eleição.

"Mas tínhamos a nosso favor o povo e Deus e assumimos o novo governo", afirmou ele durante abertura do encontro empresarial Brasil-Israel, ao lado do primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu.

Segundo Bolsonaro, o que o governo tem feito agora é despertar a confiança no mundo. "Queremos o Brasil grande, como Trump quer a América grande também", comparou, em referência ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O primeiro passo, segundo ele, é ganhar essa confiança. "Com confiança, podemos fazer muita coisa para Brasil, Israel e o mundo também."

Durante o evento, Bolsonaro chamou o primeiro-ministro israelense de "capitão" e lembrou que Israel é menor do que o menor Estado brasileiro, Sergipe. Ele ainda destacou, como nos dias anteriores, a abundância de riquezas locais brasileiras.

Também participaram do evento os ministros Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia) e Ernesto Araújo (Relações Exteriores), além do diretor da Apex-Brasil, Márcio Coimbra. De acordo com organizadores do evento, do lado do Brasil, os setores mais representados no encontro são os de agricultura e, do lado israelense, ligados à proteção cibernética. Cerca de 400 empresários dos dois países participaram do evento. 

Previsão otimista

Às vésperas de uma eleição parlamentar local, Netanyahu fez uma previsão otimista sobre o Brasil, levando em conta a nova administração de Bolsonaro. Ele afirmou que, os dois líderes, que já apresentaram trabalhos juntos, podem ser ainda melhores se trabalharem juntos.

"O Brasil tem enorme capacidade, com grande população e economia muito dinâmica, um país cálido, aberto a mudanças, com grandes institutos técnicos e tecnológicos, e Israel é o país da inovação. Sob a liderança de Bolsonaro, o Brasil pode se tornar maior”, disse o premiê. "Já fizemos algumas coisas sozinhos, mas juntos seremos melhores", acrescentou.

Netanyahu citou como trabalho mais importante a mudança no ambiente de negócios. "Meu amigo Jair Bolsonaro está fazendo exatamente isso”, comentou, salientando que os dois são capitães do Exército. Ele citou uma passagem no Exército em um desafio em que uns apostavam corridas carregando colegas sobre si, mas alguns companheiros eram mais magros e outros mais gordos, o que dificultava o trabalho.

“Quando me tornei ministro das Finanças em 2003, tivemos uma grande crise. Na economia global, o setor público está sentado sobre o setor privado, que precisa fazer o trabalho”, disse em uma comparação com o episódio do Exército. "Fizemos uma dieta no gordo e tivemos que dar fonte de oxigênio ao que estava embaixo", completou. A primeira fonte, segundo ele, é reduzir impostos e a segunda, as barreiras de competição. "Por causa disso, a economia de Israel avançou muito rápido e Israel é hoje mais igualitário do que era antes."

Ele disse também que tudo está mudando e que Israel é o laboratório do mundo. "O Brasil tem dádivas tremendas que podem se juntar a nós. O Brasil pode ser o bolo e Israel, o fermento. Queremos ser o parceiro perfeito de vocês. Não há parceria melhor no mundo do que a que pode existir entre Brasil e Israel."

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