Debbie Hill / AP
Debbie Hill / AP

Bolsonaro condecora brigada militar de Israel que ajudou no resgate às vítimas de Brumadinho

No total, 133 militares foram escalados para ajudar na ação; mais cedo, o presidente brasileiro visitou a Unidade de Contraterrorismo da Polícia israelense

Célia Froufe, enviada especial / Jerusalém, O Estado de S.Paulo

01 de abril de 2019 | 06h13
Atualizado 01 de abril de 2019 | 06h44

RAMLA, ISRAEL - O presidente Jair Bolsonaro chegou a Ramla, localizada a 50 km de Jerusalém, nesta segunda-feira, 1.º, onde condecorou com a insígnia Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul a Brigada de Resgate e Salvamento do Comando da Frente Interna de Israel em uma rápida cerimônia. Ele agradeceu à delegação israelense que colaborou no fim de janeiro no resgate das vítimas da tragédia de Brumadinho, em Minas Gerais.

A instituição, que recebeu a mais alta comenda concedida pelo presidente do País a estrangeiros, foi homenageada em razão do envio da delegação de assistência humanitária para o Brasil "Iron Shield" (escudo de ferro).

"O trabalho dos senhores foi excepcional e fez com que nossos laços de amizade, de muito tempo, se fortalecessem. Nunca esqueceremos o apoio humanitário por parte de todos vocês", disse Bolsonaro à Brigada em um discurso. No total, 133 militares foram escalados para ajudar no resgate. No início do evento, os israelenses lembraram o acidente e exibiram um vídeo sobre a atuação no Brasil.

O presidente contou que, em 1985, estava no Exército brasileiro como capitão e tinha acabado de concluir um curso de mergulho no Rio de Janeiro. "Um ônibus caiu em um rio que alimentava uma grande represa, 15 pessoas perderam suas vidas e estavam no fundo dela. Eu estava de férias e me voluntariei para resgatar os corpos na represa de 25 metros, com água barrenta e sem visibilidade, o fundo bastante lodoso", descreveu.

Ele relatou que perguntou a um colega sobre o risco da operação em relação à compensação, já que parecia zero a chance de encontrar alguém no fundo da lagoa. "O objetivo não era encontrar corpo, mas de propiciar conforto aos familiares que viam o trabalho perto da represa", respondeu o colega, de acordo com Bolsonaro.

Sobre o trabalho em Brumadinho, o presidente disse que horas após a tragédia recebeu um telefonema do primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, oferecendo ajuda na busca aos desaparecidos. "Agradeci, aceitei e os senhores foram para lá. O trabalho foi semelhante àquele prestado por mim no passado: confortar familiares ao encontrar um ente que havia perdido a vida."

Por se tratar de uma instituição, a insígnia não tem grau, como a concedida a personalidades. A Cruzeiro do Sul já foi atribuída à rainha britânica Elizabeth II, à cantora portuguesa Amália Rodrigues e ao líder revolucionário cubano Ernesto Che Guevara, entre outros.

Bolsonaro já saiu do local para cumprir o programa de viagem. A imprensa brasileira assistiu à cerimônia, mas não teve contato direto com o presidente. Mais cedo, ele visitou a Unidade de Contraterrorismo da Polícia israelense, porém os jornalistas não puderam acompanhar o evento. 

À tarde em Israel, ainda manhã no Brasil, Bolsonaro deve visitar a Igreja do Santo Sepulcro. Nem toda a imprensa brasileira deve acompanhar essa atividade porque, para assistir à visita do presidente ao Muro das Lamentações - marcada para ocorrer na sequência -, será preciso chegar ao local com duas horas de antecedência para passar pelo procedimento de identificação e segurança.

Ele será acompanhado por Netanyahu, que está em reta final da campanha parlamentar. No domingo, o porta-voz da Presidência da República, o general Otávio Santana do Rêgo Barros, disse que o presidente depositará seus desejos e orações no local. "Assim devemos compreender a ida ao Muro das Lamentações. O presidente não está avaliando essa visita sob nenhum aspecto que não apenas o emocional ou religioso", afirmou.

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