José Dias/PR
José Dias/PR

Bolsonaro diz que protestos no Chile têm origem no fim da ditadura de Pinochet

Protestos contra Sebastián Piñera, aliado do presidente, ocorrem mais de 30 anos após fim de regime militar no país

Julia Lindner, enviada especial

22 de outubro de 2019 | 00h22

TÓQUIO - O presidente Jair Bolsonaro afirmou que os protestos no Chile contra o governo de Sebastián Piñera, seu aliado, têm origem no fim da ditadura chilena, há mais de 30 anos, e em governos de esquerda. Ele também demonstrou preocupação com a situação de outros países vizinhos como Bolívia, Equador, Peru e Paraguai

“O problema do Chile nasceu em 1990, que ninguém dá valor para isso. Naquela época, as Farc fizeram parte, Fidel Castro, isso tudo. E qual o espírito dessa questão? Primeiro é bater contrário às politicas americanas, imperialistas, segundo eles. E depois são os países que se auto ajudam para chegar ao poder", disse Bolsonaro após tomar café da manhã em Tóquio. O general Augusto Pinochet, que tomou o poder após um golpe militar em 1973, governou o Chile até março de 1990.

Em entrevista à imprensa, o chanceler Ernesto Araújo afirmou que o governo acompanha o conflito com “bastante atenção”, mas que o momento exige tranquilidade. Ele contou que tem mantido contato com o chanceler do Chile, Teodoro Ribera, e que ele tem dito que a situação está sob controle.

A onda de protestos sociais já deixou mais de 10 mortos. Os confrontos violentos entre a polícia e manifestantes continuaram mesmo após Piñera suspender no sábado o aumento do preço das passagens do metrô, questão que havia desencadeado os movimentos.

Segundo integrantes do Itamaraty, a Embaixada do Brasil no Chile também envia informes e análises diretamente para o governo brasileiro. Tem sido feito, ainda, um acompanhamento das manifestações pela imprensa.

Nesta segunda-feira, 21, o presidente Bolsonaro admitiu que os conflitos no Chile contra a gestão de Piñera preocupam o governo brasileiro, mas evitou se estender no assunto. "Tudo o que acontece na América do Sul a gente se preocupa", disse o presidente.

O único caso da América do Sul que Bolsonaro considera ter a situação controlada é a Argentina. E, na visão dele, justamente porque a chapa de Alberto Fernández, na qual sua adversária política Cristina Kirchner é vice, é favorita. “A Argentina está tranquila porque a tendência é elevar o pessoal da Cristina Kirchner", afirmou.

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