João Andrade/Reuters
João Andrade/Reuters

Bolsonaro promete resolver caso de cargueiros do Irã em Paranaguá sem criar rusgas com EUA

Depois de embaixador iraniano ameaçar deixar de comprar milho do Brasil, presidente voltou a afirmar que está alinhado a Trump

Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2019 | 12h06
Atualizado 26 de julho de 2019 | 14h46

 O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira, 26, que espera resolver o "problema" dos navios iranianos parados há quase 50 dias no porto de Paranaguá (PR)" no máximo até segunda-feira e "sem criar qualquer rusga" com os Estados Unidos. Ele voltou a afirmar que "o governo está alinhado, sim, com o governo de Donald Trump". 

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, determinou na noite de quarta-feira, 24, que a Petrobrás abasteça os dois navios com bandeira do Irã que estão parados no litoral do Paraná desde junho. Ao recusar-se a fornecer o combustível, a estatal brasileira alegava que poderia ser punida pois as embarcações são alvo de sanções americanas.

"Nosso governo está alinhado, sim, com o governo Trump. Estamos entrando em contato, temos conversado desde ontem com o embaixador do governo americano nessa questão, tem a decisão do Toffoli. Agora, os bancos não querem, outros, né, não querem receber o recurso para esse reabastecimento do navio. Então espero que nas próximas horas, ou até no máximo segunda-feira, a gente resolva esse problema sem criar qualquer rusga com os Estados Unidos", declarou o presidente.

Bolsonaro falou com a imprensa ao deixar o Palácio da Alvorada, no final da manhã. O presidente passará o resto do dia em Goiânia (GO), onde  participará do 161º Aniversário da Polícia Militar de Goiás.

Embaixador iraniano ameaçou deixar de importar milho

Na quarta-feira, o Irã ameaçou cortar as importações do Brasil se a estatal Petrobrás não reabastecer os dois cargueiros da República Islâmica que estão parados há semanas no Paraná por falta de combustível em consequência de sanções impostas pelos Estados Unidos.

Em entrevista à agência Bloomberg, o embaixador do Irã em Brasília, Seyed Ali Saghaeyan, disse que entrou em contato com as autoridades brasileiras na terça-feira, 23, para informar que seu país pode procurar novos parceiros para comprar milho, soja e carne se as autoridades brasileiras não resolverem a situação.

Setor agropecuário alerta para risco a produtores

Associações que representam exportadores brasileiros disseram ao Estado na quinta-feira, 27,  que a continuidade do impasse seria grave, pelo fato de o Irã ser um mercado importante.

Para a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), o rompimento da relação comercial com Teerã seria catastrófico para o setor agrícola do Brasil. "Além de ser o maior importador de milho brasileiro, o Irã é um dos principais compradores de produtos importantes para o País e para o Estado do Paraná, como soja e carne bovina", afirmou a Faep. 

Segundo Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, a crise com o Irã foi mal gerida pelo governo. “Ao declarar alinhamento com o presidente dos EUA, Donald Trump, Jair Bolsonaro acabou transformando uma questão comercial em uma questão política”, disse. 

Decisão de Toffoli indica saída para a crise

Tanto na Petrobrás quanto na Eleva Química a decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, de determinar que a estatal brasileira abasteça os dois navios iranianos estacionados no Paraná por falta de combustível foi recebida com "alívio", segundo fontes próximas ao caso ouvidas pelo Estado. A Eleva Química foi quem contratou os dois navios iranianos. 

Na avaliação dessas fontes, que falaram em condição de anonimato, a determinação daria uma brecha para que a estatal cumpra a ordem judicial, abasteça os navios e encerre a crise. A ordem foi dada na noite de quarta-feira, mas tornada pública nesta quinta-feira

 

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