Dida Sampaio/ Estadão
Dida Sampaio/ Estadão

Bolsonaro é aconselhado a ficar neutro caso eleição nos EUA vá para Justiça

Além da torcida por Donald Trump, de quem já se declarou fã e aliado incondicional, o presidente brasileiro acompanha o desempenho do líder americano no confronto com o democrata Joe Biden como um laboratório para 2022

Jussara Soares, O Estado de S.Paulo

02 de novembro de 2020 | 19h39

BRASÍLIA - Jair Bolsonaro passará a terça-feira, 3, de olho na eleição dos Estados Unidos. Além da torcida por Donald Trump, de quem já se declarou fã e aliado incondicional, o presidente brasileiro acompanha o desempenho do líder americano no confronto com o democrata Joe Biden como um laboratório para 2022, quando tentará a recondução ao Palácio do Planalto. Com a declaração do vencedor, a Presidência já está preparada para que Bolsonaro faça um telefonema ao vitorioso. Se o resultado for alvo de uma disputa judicial, a recomendação é a de que o presidente opte pela neutralidade até um desfecho, segundo apurou o Estadão.

Pela manhã, Bolsonaro se reunirá com auxiliares da área internacional para receber um panorama final sobre a disputa no dia da votação. Participam o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, o assessor-chefe de Assuntos Internacionais, Filipe Martins, e o secretário especial de Assuntos Estratégicos, Flávio Rocha

Ainda não está decidido como Bolsonaro acompanhará a apuração, mas a Presidência já está preparada para um telefonema para o vencedor, independentemente de quem seja. Se for Trump, o brasileiro tende a tratar também como uma vitória pessoal, uma vez que indicará o fôlego do populismo nacionalista e reforçará o otimismo na própria reeleição. Se for Biden, objetivo é que ele dê recado imediato de que o Brasil seguirá apostando no conservadorismo, mas adotará o pragmatismo nas relações com osEstados Unidos. Mas fontes do governo que acompanham a eleição americana alertam que essa decisão será de Bolsonaro.

Auxiliares do Planalto também trabalham com a hipótese de que Trump, se derrotado, judicializará o resultado das eleições, como vem sinalizando nos últimos dias. Nestas condições, Bolsonaro foi aconselhado a manter a neutralidade e aguardar o desfecho final, respeitando o judiciário norte-americano. Não há garantias, no entanto, de que Bolsonaro seguirá o conselho. 

Em diversas oportunidades, o brasileiro fez campanha para Trump. No ano passado, durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU),  ele disse, antes de um encontro com o presidente americano que “ele vai ser reeleito ano que vem”.

No dia 20 de outubro, ao lado do embaixador Robert O'Brien, conselheiro de segurança nacional dos EUA,  disse querer ir à posse do Trump. “Não interfiro (na campanha), é do coração”,  justificou.  Quatro dias antes, ele já havia usado a transmissão nas redes sociais para demostrar apreço pelo republicano. “A gente torce pelo Trump. Temos certeza que vamos potencializar e muito o nosso relacionamento", disse. Na mesma ocasião, falou sobre a hipótese de uma vitória de Biden e disse que tentará se manter próximo dos Estados Unidos. “Se eles não quiserem, paciência né? O Brasil vai ter que se virar por aqui”, disse. 

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No fim de setembro, após o primeiro debate entre Trump e Biden, Bolsonaro chamou de “lamentável” e “desastrosa” a declaração sobre a Amazônia feita pelo candidato democrata, que prometeu se juntar com outros países e oferecer US$20 bilhões para ajudar na preservação da região. "Parem de destruir a floresta e, se não fizer isso, você terá consequências econômicas significativas", completou, indicando possíveis retaliações ao governo brasileiro. 

A recomendação de cautela em caso de uma judicialização do resultado é baseada em análises da corrida pela Casa Branca que Bolsonaro tem recebido periodicamente nas últimas semanas. No cenário mais otimista apresentado a Bolsonaro, Trump vence com uma pequena vantagem. Nos cálculos do assessor-chefe para Assuntos Internacionais,  Filipe Martins, o republicano deve conquistar 280 dos 538 delegados dos colégios eleitorais. O vencedor precisa de 270.

Já uma vitória de Biden, segundo panorama passado ao presidente, tende ser mais elástica. Às vésperas da votação, pesquisas indicam o favoritismo do democrata. Martins se tornou uma espécie de oráculo de eleição americana após em 2016 ter apostado em uma vitória de Trump sobre Hillary Clinton. Dessa vez, quando questionado por interlocutores, evita cravar um resultado. De posse das análises, Bolsonaro tem demostrando preocupação, mas, a interlocutores, diz que aposta no seu instinto de que Trump vai ser reeleito. 

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