Joedson Alves/EFE
Joedson Alves/EFE

Bolsonaro está levando Brasil ao desastre, diz colunista do Financial Times

Autor diz que o presidente é responsável pela 'resposta caótica que permitiu que a pandemia saia do controle' e que 'mortes e desemprego são exacerbados' por essa conduta

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2020 | 13h00

O jornal econômico Financial Times publicou nesta segunda-feira, 25, um artigo dizendo que o presidente Jair Bolsonaro está levando o Brasil ao desastre com sua condução da crise causada pelo novo coronavírus. O texto foi publicado pelo colunista Gideon Rachman, o principal analista de assuntos externos do diário britânico. 

No artigo, Rachman diz que o presidente brasileiro adotou uma abordagem semelhante à de Donald Trump, mas ainda mais "irresponsável e perigosa". "Ambos os líderes ficaram obcecados com as propriedades supostamente curativas da hidroxicloroquina. Mas enquanto Trump está apenas tomando o produto, Bolsonaro forçou o Ministério da Saúde brasileiro a emitir novas diretrizes, recomendando o medicamento para pacientes com coronavírus", escreve.  

Nesta segunda, o Estadão mostrou que o confronto entre governo federal e governadores, a indefinição no combate ao coronavírus e dúvidas sobre a capacidade de o País continuar com reformas estruturais são focos de preocupação no exterior

O autor lembra que Trump brigou com consultores científicos, mas Bolsonaro demitiu um ministro da Saúde e provocou a demissão de outro, uma referência a Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich. Também cita que o presidente brasileiro participa das aglomerações e que a situação piora rapidamente no Brasil, que já é o segundo país com mais casos de mortes e de contaminações. No domingo, eram 363 mil pessoas contaminadas e 22.666 mortes

"O Brasil já está pagando um preço alto pelas palhaçadas de seu presidente", diz o texto, lembrando que a situação econômica e social do Brasil indica que o país será severamente afetado. "Incentivando seus seguidores a desrespeitar os bloqueios e minando seus próprios ministros, Bolsonaro é responsável pela resposta caótica que permitiu que a pandemia saia do controle. Como resultado, os danos à saúde e à economia sofridos pelo Brasil provavelmente serão mais severos e mais profundos do que deveriam ter sido".

Ele diz que países com situação socioeconômica mais difícil, como a África do Sul, tiveram uma resposta muito mais eficaz. Rachman escreve ainda que o Brasil é um país profundamente polarizado, onde as teorias da conspiração são abundantes e que o presidente se fortalece com esse cenário.

"No estilo populista clássico, ele vive da política da divisão. As mortes e o desemprego causados ​​pela covid-19 são exacerbados pela liderança de Bolsonaro. Mas, perversamente, um desastre econômico e de saúde poderia criar um ambiente ainda mais hospitaleiro para a política do medo e da irracionalidade".

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