Facebook/@jairmessiasbolsonaro/Reprodução
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Bolsonaro evita condenar invasão da Ucrânia e pede cautela em sanções contra Rússia

Presidente pregou solução pacífica para o conflito e indicou que o País vai priorizar interesses econômicos

Gustavo Côrtes, Pedro Prata e Victor Pinheiro, O Estado de S.Paulo

27 de fevereiro de 2022 | 19h21
Atualizado 27 de fevereiro de 2022 | 19h46

O presidente Jair Bolsonaro evitou condenar a invasão da Ucrânia e se mostrou reticente em relação à possibilidade de a comunidade internacional impor sanções à Rússia. Com vaga no Conselho de Segurança da ONU, o governo brasileiro dará um dos votos sobre o tema na próxima reunião do grupo, prevista para esta semana. "Deixo claro que o voto do Brasil não está definido ou atrelado a qualquer potência. Nosso voto é livre e será dado nessa direção", disse em coletiva no Guarujá, no litoral de São Paulo, em que pregou solução diplomática para o conflito.

“Para nós, a questão do fertilizante é sagrada. E nossa posição, como acertado com o Carlos França, é de equilíbrio”, declarou o presidente. A deflagração do conflito provocou aumento no preço dos fertilizantes no mercado internacional. O plantio de grãos do Brasil depende do produto. “Nossa posição tem que ser de bastante cautela para não trazermos problemas para o nosso País.”

Bolsonaro disse não acreditar que Putin tenha a intenção de liderar um massacre de civis e destacou o desejo de parte da população do sul da Ucrânia de se separar do restante do país. Lembrou ainda que parte dos ucranianos fala russo e chamou os dois países de “quase irmãos”. Ao citar a defesa russa da independência das regiões de Luhansk e Donetsk, falou que “não vamos entrar no mérito se tem razão ou não, vamos buscar a paz”. 

A fala do chefe do Executivo destoa do posicionamento do embaixador brasileiro na ONU, Ronaldo Costa Filho. "Primeiro, o Conselho de Segurança deve reagir de forma rápida ao uso da força contra a integridade territorial de um Estado-membro. Uma linha foi cruzada e esse Conselho não pode ficar em silêncio", disse o diplomata durante a votação. 

O Brasil foi uma das 11 nações favoráveis à resolução proposta por Estados Unidos e Albânia que condenou, na última sexta-feira (25), a investida militar do presidente russo Vladimir Putin. A decisão, no entanto, foi vetada pela Rússia, que é um dos cinco membros permanentes do Conselho e, por isso, tem poder de veto.

Jair Bolsonaro visitou o presidente russo, Vladimir Putin, em 16 de fevereiro, dias antes de a Rússia iniciar a operação militar contra a Ucrânia. A exportação de fertilizantes para o Brasil e a cooperação na área da agricultura foram pontos de destaque celebrados entre os dois mandatários.

Brasileiros

O presidente também respondeu a questionamentos sobre a ajuda do Itamaraty a brasileiros na Ucrânia. Segundo Bolsonaro, desde o primeiro momento o governo disponibilizou o contato de canais de apoio em redes sociais. Ele ressaltou a complexidade de deslocar brasileiros no território ucraniano em meio ao conflito. “Primeiro, tem uma crise de combustível. Outra, não basta você ter combustível se essa viatura ou esse ônibus pode ser atacado, por quem quer que seja”, disse.

Bolsonaro disse que o governo acertou com a Aeronáutica a disponibilização de duas aeronaves para repatriar brasileiros refugiados da guerra. Em seguida, o presidente justificou que as aeronaves ainda não decolaram porque o Itamaraty aguarda a manifestação de interesse dos brasileiros que se deslocaram até países vizinhos da Ucrânia.

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