Charly Triballeau / AFP
Charly Triballeau / AFP

Bolsonaro quer usar cúpula para mudar sua imagem no exterior

Segundo o general Heleno, ele quer apresentar a imagem correta dele, que foi muito deturpada por uma imprensa que fazia questão de colocar o presidente como fascista

Beatriz Bulla e Célia Froufe /Enviadas especiais a Osaka, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2019 | 21h19

O presidente Jair Bolsonaro quer aproveitar a vitrine internacional da cúpula das 20 maiores economias do globo que começa nesta sexta-feira em Osaka, no Japão, para mudar a imagem que tem no exterior. Desde que assumiu a presidência, Bolsonaro se queixa de como foi retratado em veículos internacionais – com destaque a falas de sua carreira como deputado e polêmicas da campanha eleitoral, que fizeram jornais fora do País o chamarem de misógino, racista e homofóbico. 

O ministro do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, afirmou nesta quinta-feira que Bolsonaro quer corrigir a imagem que lhe foi atribuída de forma errada pela imprensa. Um dos pontos mais criticados pelo general foi o rótulo de fascista dado a Bolsonaro.

"Ele quer apresentar a imagem correta dele, que foi muito deturpada por uma imprensa que fazia questão de colocar o presidente como fascista até, né? Então, ele quer mostrar a verdadeira face", disse a jornalistas brasileiros em Osaka. "Isso é ridículo. Chamar nosso presidente de fascista é simplesmente ridículo. É uma falta até, no mínimo, de análise", afirmou Heleno.

Bolsonaro pretende usar os momentos de fala, nos dois discursos que possui no G-20 e na abertura do encontro dos BRICs, para mostrar que a fama que recebeu é errada. Mas o Planalto sabe que a imagem não é alterada de forma célere ou corriqueira. “Isso não transforma em um dia e nem em um discurso", constatou Heleno, explicando que a participação em eventos internacionais reunindo outros países, como o G-20, é uma forma de mostrar a intenção do presidente. Ainda sobre os BRICs, Heleno afirmou que a mensagem de Bolsonaro será para procurar “cada vez mais uma coordenação” entre os países.

A intenção do presidente é mostrar que o Brasil tem capacidade de fazer acordos multilaterais benéficos para o País e ter respeito mundial. A imagem de Bolsonaro no exterior já rendeu contratempos ao presidente brasileiro, que teve de cancelar uma viagem que faria a Nova York, na última hora, depois de ser alvo de protestos e boicote na cidade, incluindo críticas feitas pelo prefeito nova-iorquino, Bill de Blasio.

No Japão, Bolsonaro terá sete encontros bilaterais – incluindo reuniões com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e com o líder chinês, Xi Jinping – além de reuniões com os BRICs, Grupo de Lima e da participação no fórum do G-20. Pela manhã desta sexta-feira, 27, o presidente terá reuniões no hotel em que esta hospedado, com representantes do Banco mundial e da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O Brasil vem disputando, juntamente com outros cinco países, a possibilidade de se tornar um membro da entidade que tem sede em Paris.

Em encontro com o presidente americano em março, Bolsonaro recebeu a promessa de que teria apoio dos EUA para a vaga. O juramento foi cumprido na última reunião ministerial da OCDE em junho, mas EUA e Europa ainda divergem sobre o processo de entrada de vários países na instituição e o assunto não progride. O assunto deve entrar na agenda da reunião com Trump. "Pode-se esperar um encontro bastante amistoso. Desde os EUA, eles se entenderam.muito bem", avaliou Heleno.

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