Gabriela Biló/ Estadão
Gabriela Biló/ Estadão

Bolsonaro reduz 'importância' de Trump

Para integrantes do governo, o presidente brasileiro não está disposto a criar tensão na relação com o novo ocupante da Casa Branca

Jussara Soares, O Estado de S.Paulo

06 de novembro de 2020 | 23h04

BRASÍLIA - A declaração de Jair Bolsonaro de que seu colega americano Donald Trump “não é a pessoa mais importante do mundo” foi interpretada no Palácio do Planalto como um sinal inequívoco de que o presidente já admite a vitória do candidato democrata, Joe Biden, na eleição dos Estados Unidos. Para integrantes do governo, o presidente deu o recado que, apesar de não ter escondido a torcida por Trump, não está disposto a criar tensão na relação com o novo ocupante da Casa Branca.

“O momento do Brasil ainda é difícil. Assistimos a política externa. Temos nossas preferências e o que acontece lá fora interessa para cada um de nós aqui dentro”, disse Bolsonaro ao participar na manhã de ontem da formatura de policiais rodoviários federais em Florianópolis.

“Eu não sou a pessoa mais importante do Brasil, assim como Trump não é a pessoa mais importante do mundo, como ele bem mesmo disse. A pessoa mais importante é Deus. A humildade tem que se fazer presente entre nós”, afirmou.

Apesar da sinalização, a incógnita, porém, segue sobre como Bolsonaro deve proceder se projeções de veículos de imprensa americanos reconhecerem a vitória de Biden. Até a conclusão desta edição, a principal hipótese era de que o presidente brasileiro só se manifestaria ao fim do processo de judicialização e com Trump admitindo a derrota.

Enquanto o resultado da eleição americana for contestado nos tribunais pela campanha republicana, o conselho é para que Bolsonaro mantenha a neutralidade. Nos últimos dias, embora tenha reforçado o alinhamento com Trump, ele tem evitado se manifestar especificamente sobre acusações de fraudes e a contestação judicial.

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Para outro grupo de auxiliares, caso Biden tenha uma vitória ampla, reconhecida por outros países, é conveniente que o presidente não demore muito a cumprimentá-lo. A decisão, no entanto, caberá ao próprio presidente. Segundo o Estadão apurou, a Presidência está pronta para fazer contato com o vencedor da eleição, seja ele Trump ou Biden. Porém, não está descartado que Bolsonaro se manifeste apenas por Twitter. O contato poderá ser feito pelo embaixador nos Estados Unidos, Nestor Forster.

Parabenizar um presidente eleito trata-se de um gesto político, e a decisão de como e quando fazer cabe ao próprio presidente. Em 2000, Fernando Henrique Cardoso enviou uma mensagem ao republicano George W. Bush somente após a vitória dele sobre o democrata Al Gore ser confirmada pela Suprema Corte, 36 dias após a eleição.

Luiz Inácio Lula da Silva, em 2008, telefonou para Barack Obama no mesmo dia do anúncio do resultado. O presidente eleito americano retornou dias depois e eles conversaram por 15 minutos. Michel Temer, em 2016, preferiu parabenizar Trump com um telegrama.

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