U.S. Embassy Ulaanbaatar via AP
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Bolton diz que 'congelamento' de atividade nuclear norte-coreana é insuficiente

Conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca contesta reportagem do 'New York Times' e diz que nem ele nem ninguém no governo de Donald Trump considera a hipótese de aceitar a Coreia do Norte como uma potência nuclear

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de julho de 2019 | 12h59
Atualizado 02 de julho de 2019 | 11h29

WASHINGTON - O conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, John Bolton, negou nesta segunda-feira, 1, que o governo de Donald Trump poderá se conformar com um "congelamento" do programa nuclear da Coreia do Norte em vez de um desmantelamento total, como informa o jornal The New York Times.

"Nem o Conselho de Segurança Nacional nem eu temos falado ou ouvido nada sobre nos conformar com um congelamento (do programa) nuclear por parte da Coreia do Norte", tuitou o Bolton, indicando que leu o artigo com "curiosidade".

"Essa foi uma tentativa repreensível de alguém de encurralar o presidente. Deveria ter consequências", acrescentou.

Na matéria publicada nesta segunda, com base em uma fonte anônima, o jornal americano assegura que a administração de Trump aventa essa possibilidade há várias semanas.

Essa abordagem, que segundo o NYT poderia servir de base para as novas negociações prometidas pelos dois países, "equivaleria a um congelamento nuclear que essencialmente respaldaria um 'status quo' e aceitaria tacitamente a Coreia do Norte como uma potência nuclear".

No domingo, Trump e o líder norte-coreano, Kim Jong-un, concordaram em retomar dentro de algumas semanas as negociações bilaterais sobre o programa nuclear do país.

Os dois tiveram uma histórica reunião na Zona Desmilitarizada (DMZ), que separa as duas Coreias desde 1953, quando o violento conflito na Península da Coreia foi suspenso com um armistício - um tratado de paz nunca foi assinado.

Tratou-se da primeira reunião entre líderes de EUA e Coreia do Norte na emblemática fronteira e Trump cruzou a linha de demarcação militar, se tornando assim o primeiro presidente americano a pisar em território norte-coreano.

A reunião aconteceu depois da participação do governante americano na Cúpula do G-20 em Osaka, no Japão, onde se reuniu também com o presidente russo, em uma conversa que se prolongou por pouco mais de uma hora.

Os Estados Unidos têm insistido na desnuclearização completa da Coreia do Norte como uma condição para eliminar as sanções de Washington a Pyongyang. A falta de acordo sobre uma suspensão das medidas punitivas por parte de Washington e o que Pyongyang está disposto a dar em troca levaram ao fracasso da segunda cúpula entre Trump e Kim, realizada em fevereiro em Hanói.

O presidente americano está sob pressão já que, após três encontros diretos com Kim, ainda não obteve nenhum compromisso do regime norte-coreano neste aspecto.

Rússia e China celebram

O Kremlin elogiou nesta segunda a reunião entre Trump e Kim como um passo rumo à desnuclearização da península. "No que se refere à reunião, lhe damos as boas-vindas", disse à imprensa o porta-voz da presidência russa, Dmitri Peskov, acrescentando que a Rússia apoia "qualquer passo" que busque a "distensão da península coreana e aproxime da desnuclearização da região".

Peskov ressaltou que o presidente russo, Vladimir Putin, está há tempos pedindo que as partes implicadas demonstrem "contenção" e sejam "construtivas".

A China também celebrou o "grande alcance" da reunião de domingo. "Isso merece ser comemorado", declarou em entrevista o porta-voz do Ministério chinês das Relações Exteriores, Geng Shuang.  "Coreia do Norte e Estados Unidos concordaram em retomar, em um futuro próximo, suas consultas em nível de grupo de trabalho. Isso é algo de grande alcance", frisou Geng.

O porta-voz pediu a ambas as partes que "aproveitem as circunstâncias favoráveis para dar um passo de aproximação e busquem soluções eficazes para as preocupações de cada um, além de avançar para a desnuclearização". / AFP e EFE

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