Mandel NGAN / AFP
Mandel NGAN / AFP

Bolton repete que todas as opções estão sobre a mesa e pressiona militares que negociavam com Guaidó

Assessor de segurança nacional dos EUA também disse que Donald Trump espera ver transição de poder "pacífica" na Venezuela

Beatriz Bulla, CORRESPONDENTE / WASHINGTON

30 de abril de 2019 | 18h35

O assessor de segurança nacional dos Estados Unidos, John Bolton, manteve nesta manhã a estratégia de deixar no ar a ameaça de uso de força na Venezuela caso os militares que apoiam Nicolás Maduro avancem contra civis. “Como eu disse, todas as opções continuam na mesa. Eu não vou ser mais específico do que isso. Desde o início dissemos que seria um grande erro de Maduro usar a força contra civis inocentes”, afirmou Bolton, ao responder jornalistas na Casa Branca.

Apesar disso, o assessor de segurança nacional disse que Donald Trump espera ver uma transição de poder “pacífica” na região e acena com o uso das sanções como instrumento de pressão americano. Nos bastidores, assessores da Casa Branca consideram improvável que Washington use de força na região sem respaldo dos vizinhos, a despeito do discurso de que todas as opções são consideradas. Brasil e Colômbia já se manifestaram publicamente contra qualquer ação militar.

Ele afirmou ainda que o ministro da Defesa venezuelano, Vladimir Padrino, estava em negociação para dar suporte ao autoproclamado presidente interino, Juan Guaidó, mas recuou. Bolton citou outras duas autoridades, sugerindo que também estavam em negociações secretas com Guaidó: o chefe da Inteligência venezuelana, Ivan Hernández, e o presidente do Supremo Tribunal do país, Maikel Moreno. No início do dia, Guaidó anunciou que tinha apoio dos militares do país, mas a força do opositor foi colocada à prova com o avanço da resistência de aliados de Maduro.

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Bolton insistiu que os três “cumpram seu compromisso de chegar a uma transição pacífica de poder” e pediu que ajam para trazer forças militares para o lado de Guaidó.

“Seu tempo acabou. Essa é sua última chance. Aceitem a anistia de Guaidó, protejam a constituição e removam Maduro, e nós tiraremos vocês da lista de sanções. Continuem com Maduro e afundem com o navio”, ameaçou Bolton.

O senador republicano Marco Rubio, considerado um dos principais articuladores da política anti-Maduro no governo Trump, sugeriu que aqueles que recuaram podem acabar sem respaldo de nenhum dos lados. “Estou vendo tuítes de apoio a Maduro de alguns daqueles oficiais de alto nível na Venezuela que estavam trabalhando para removê-lo. Mas os cubanos e o regime sabem o que vocês estão fazendo. E se não sabem, saberão muito em breve. E aí? Sejam espertos, não atrasados”, escreveu Rubio no Twitter. 

Rubio e Bolton são críticos ao apoio oferecido por Cuba ao regime de Maduro e também ao respaldo dado por Rússia e China ao venezuelano. No pronunciamento desta tarde, Bolton mandou um recado aos russos para que não interfiram na Venezuela.

Bolton também garantiu que os EUA estão planejando muito para o “day after” da saída de Maduro e disse que o país irá oferecer assistência ao governo de Guaidó para retirar a Venezuela da crise econômica na qual se encontra. Segundo ele, Trump está acompanhando "minuto a minuto" a situação na Venezuela.

Mais cedo, os EUA já haviam acenado com o alívio de sanções econômicas e diplomáticas impostas a aliados do regime de Nicolás Maduro se houver uma adesão ao movimento iniciado pelo autoproclamado presidente interino da Venezuela, o opositor Juan Guaidó. Isso inclui sanções impostas à petrolífera venezuelana PDVSA, que teve ativos bloqueados.

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