Bolton sai; mais um falcão da era Bush perde as asas

O embaixador dos EUA na Organização das Nações Unidas, John R. Bolton, renunciou ao cargo nesta segunda-feira em resposta a uma provável rejeição de seu nome pelo Senado americano. Conhecido por seu ideário conservador e pela truculência com que defendia suas posições, o "superfalcão" da administração deixará um importante posto de líder da diplomacia dos Estados Unidos na comunidade internacional pouco mais de um ano após assumir.Bolton foi subsecretário de Estado para controle de armas e segurança internacional e protegido do vice-presidente Dick Cheney. Considerado linha dura e polêmico por suas idéias unilaterais, é mais conhecido pela aspereza com que expõe e defende as posições americanas do que por seu talento para a diplomacia. No passado, ele ficou conhecido por dizer que ?não havia tal coisa? como a ONU e por declarar que os Estados Unidos eram a "única potência real no mundo". A saída do diplomata acontece num contexto de adaptação da administração Bush ao recado das urnas nas eleições legislativas de 7 de novembro, quando os americanos devolveram ao Partido Democrata a liderança no Congresso após 12 anos de comando Republicano. É sempre bom lembrar que um dia após de anunciada a vitória democrata, o principal cérebro da guerra do Iraque, o secretário de Defesa Donald Rumsfeld, anunciou sua saída do Pentágono. Essas mudanças devem marcar uma nova era nas relações dos Estados Unidos com a comunidade internacional. Bolton ficou famoso por ter dito, entre outras coisas, que o Conselho de Segurança da ONU deveria ter apenas um membro com poder de veto, ou, na opinião dele, apenas os Estados Unidos.Crítico ferrenho da ambição nuclear iraniana, ele defendia como necessidade urgente ?confrontar a clara e inflexível posição do Irã? em direção a um programa de armas nucleares. Antes de assumir como embaixador na ONU, Bolton fez duro ataques ao programa nuclear da Coréia do Norte e levou Pyongyang a impor sua exclusão da delegação americana como condição para a retomada das conversações. Bolton, que pressionou fortemente por uma reforma na ONU, possuía estreitas relações com grande parte do secretariado da instituição, inclusive com o secretário-geral Kofi Annan, e havia repetidamente pedido para todas as altas autoridades das Nações Unidas saírem de seus cargos quando Anna for substituído pelo sul-coreano Ban Ki-moon. Também conhecido por críticas ferrenhas à ONU, a qual pregava como uma ferramenta norte-americana, Bolton substituiu, em 2005, John Danforth, que tinha renunciado ao posto após exercer o cargo por apenas seis meses. Com isso, o indicado do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, subiu a uma posição na qual seria necessária uma postura multilateral, longe de suas pregações conservadoras pró-Estados Unidos, e Bush chegou a enfrentar problemas com os Democratas a respeito do cargo exercido por seu protegido.Bolton, de 58 anos, é um advogado formado na Universidade de Yale e foi funcionário dos governos Ronald Reagan e George Bush, pai do atual presidente.Em 2000, ele teve papel-chave ao representar George W. Bush na recontagem dos votos das eleições presidenciais - e foi recompensado após a confirmação da vitória de Bush com cargo de alto escalão no setor de Controle de Armamentos do departamento de Estado, em maio de 2001.

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