Bom desempenho de Sarah não melhora situação de McCain

Tendo sobrevivido ao debate na quinta-feira com o senador Joseph Biden e amenizado parte dos comentários sobre suas capacidades básicas para exercer a vice-presidência, a governadora Sarah Palin permite agora que o candidato presidencial republicano, John McCain, abandone a posição defensiva em relação a ela, deixando-o livre para concentrar-se nos outros problemas que assombram sua campanha. Faltando um mês para as eleições, McCain enfrenta um ambiente duro, como ele próprio reconheceu horas antes do debate ao efetivamente retirar sua campanha de Michigan, um Estado democrata. "O debate em si não muda a tendência eleitoral, principalmente em alguns dos Estados em disputa mais acirrada", disse Todd Harris, um consultor que trabalhou para McCain. Com exceção de uma exibição de bravura considerada difícil até para o mais experiente dos políticos americanos - ou de um erro devastador por parte de Biden, que surpreendeu a todos com um desempenho de impressionante precisão - havia pouco que Sarah pudesse fazer para ajudar McCain. A campanha republicana encarou com severidade as pesquisas realizadas desde o debate presidencial da semana passada mostrando o candidato democrata, Barack Obama, abrindo vantagem não apenas no quadro nacional, mas também nos Estados onde a disputa é mais equilibrada. A importância da imensa vantagem financeira de Obama tornou-se clara conforme ele obrigou McCain a combater em Estados de tradição republicana, como o Missouri e, assim fazer o tipo de opção de seleção que ele fez em Michigan. Os problemas econômicos de Wall Street tornaram-se um grave obstáculo para McCain, deslocando o debate presidencial precisamente para um terreno que favorece aos democratas, e Biden tentou responsabilizar o Partido Republicano pela crise. E mesmo após a aprovação no Congresso do plano de resgate, não há motivo para pensar que isso represente o fim das más notícias econômicas: mais giros no mercado de ações e a perspectiva de más notícias econômicas em todos os aspectos. "Durante mais de um ano, as pessoas imaginaram que, caso Obama fosse escolhido como candidato democrata, a campanha se tornaria um referendo sobre ele", disse Harris. "A crise econômica mudou isso: a campanha é agora um referendo sobre quem pode nos tirar desta bagunça. Um dos desafios da campanha de McCain é fazer com que a corrida presidencial volte a ser um referendo sobre as qualidades e defeitos de Obama." Sarah pode declarar duas vitórias, apesar de modestas. Ela não reprisou as respostas instáveis de suas entrevistas e seu desempenho, combativo e bem-humorado, pode ter animado os conservadores, muitos dos quais tinham passado do êxtase ao desespero entre sua indicação para vice e esta semana.

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