Bomba de fumaça põe Casa Branca em alerta

Membros do grupo Ocupem o Capitólio são os responsáveis por protesto improvisado diante da sede do governo

WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

19 de janeiro de 2012 | 03h06

Integrantes do movimento Ocupem o Capitólio lançaram na noite de terça-feira, madrugada de ontem no Brasil, uma bomba de fumaça nos jardins da Casa Branca, sede do governo americano, em Washington, colocando em alerta o serviço secreto, responsável pela segurança presidencial.

O presidente Barack Obama não estava no local na hora do incidente, uma vez que comemorava o aniversário da primeira-dama Michelle fora da residência oficial.

A tensão aumentou quando a polícia colocou seus capacetes usados contra motins. Os manifestantes receberam ordem de deixar o local, mas muitos a ignoraram. Apesar do susto, o artefato não causou ferimentos nem danos e nenhuma prisão relacionada à explosão foi efetuada.

Horas antes, porém, quatro manifestantes tinham sido detidos quando centenas de ativistas do movimento se reuniram no gramado do Capitólio, onde fica o Congresso, cantando, marchando e perturbando os trabalhos nos gabinetes da Casa durante todo o dia.

Os integrantes do grupo vieram de todo os Estados Unidos e a ação foi qualificada como a primeira reunião nacional do movimento que começou em setembro, em protesto contra a "ganância corporativa de Wall Street".

Aparentemente, a concentração diante dos portões da Casa Branca, iniciada no começo da noite, não estava programada. Com isso, as medidas de segurança na sede do Executivo tinha sido reforçadas.

Segundo o participante e organizador da marcha, Mario Lozada, advogado da Filadélfia, o movimento Ocupem o Congresso nasceu da frustração com a falta de empregos causada pela crise econômica nos Estados Unidos e teve início como um movimento popular no ano passado, quando um manifestante criou uma página no Facebook que atraiu mais de 11 mil pessoas.

"O Congresso não está dando atenção aos cidadãos, pois o dinheiro das corporações entrou na política. Essa é a mensagem geral. Nossas vozes não estão sendo ouvidas", disse Lozada, de 25 anos.

O grupo de manifestantes chegou a entrar em confronto com a polícia que faz a proteção do Capitólio. "Estou cansado desses marajás embolsando todo o dinheiro", disse Barry Sipple, de 62 anos, veterano da Guerra do Vietnã e deficiente físico, explicando porque tinha vindo do acampamento do movimento em Lexington, Kentucky, para Washington. "É o correto a fazer."

"O tema de hoje é deixar que o Congresso saiba que estamos aqui, teremos uma presença e eles terão que nos ouvir", disse Deb Van Poolen, de 42 anos, dedicada à agricultura orgânica, que vive no acampamento de Freedom Plaza.

O futuro dos acampamentos na McPherson Square e Freedom Plaza não está claro. O gabinete do deputado Darrel Issa (da Califórnia) informou na terça-feira que a comissão de Fiscalização da Câmara para o Distrito de Washington realizará uma audiência sobre o acampamento na McPherson Square na próxima terça-feira, tendo convocado o chefe da polícia, o diretor da saúde da cidade e membros do National Park Service, para depor. / THE WASHINGTON POST

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