Bomba em escola árabe deixa sete crianças feridas

A explosão de uma bomba na escola primária de Sur Baher, um bairro árabe de Jerusalém Oriental, que feriu sete crianças, provocou hoje violentos protestos contra a polícia israelense e o temor de novos ataques de grupos clandestinos de extremistas judeus, que já mataram 11 palestinos desde o início da intifada. Ao abrirem os portões do estabelecimento, os professores perceberam que havia três pacotes suspeitos no pátio do edifício. "Eram cerca das 7h30 (hora local) e imediatamente avisamos a polícia", contou uma das docentes à rádio Voz da Palestina. "Mas, até que os policiais aparecessem, precisamos esperar até as 8h20". Enquanto isso, antes das 8h00, um dos pacotes explodiu, causando ferimentos em um educador e sete alunos, além de provocar pânico e momentos de forte tensão dentro da escola. Dezenas de habitantes de Sur Baher receberam a pedradas os agentes de polícia e os especialistas antiexplosivos que chegaram para desativar as duas outras bombas. "Chegaram tarde, enquanto nossos filhos corriam risco de vida", disse Fawzi Masri, pai de uma das crianças. Seis policiais ficaram feridos nos tumultos e os agentes dispararam bombas de gás lacrimogêneo para dispersar a multidão revoltada. No passado, a população palestina de Sur Baher, bairro localizado na periferia de Jerusalém Oriental, aos pés da colina de Har Horma (Abu Ghneim em árabe), protagonizou manifestações de protesto contra a construção, em vias de terminar, de um importante assentamento judeu nas imediações. Os investigadores estão avaliando a origem da explosão, atribuída a uma organização até agora desconhecida, a "Vingança dos Recém-Nascidos", que afirmou ter atacado a escola árabe para vingar os bebês israelenses assassinados por camicases palestinos. Mas é possível que a inédita denominação esconda o movimento racista antiárabe "Kach", proibido após o assassinato do primeiro-ministro Yitzhak Rabin, cometido em novembro de 1995, e que em anos anteriores perpetrou ataques e represálias contra palestinos. A explosão na escola também aumentou os temores sobre a rearticulação de uma facção clandestina judaica similar à que, nos anos 80, atacou na Cisjordânia, provocando mortos e feridos entre os delegados eleitos nas listas da Organização para a Libertação da Palestina (OLP). O prefeito de Jerusalém, Ehud Olmert, denunciou o atentado e o chefe da polícia, Micky Levy, garantiu investigações sérias, mas os palestinos e alguns centros de defesa dos direitos humanos duvidam de que o compromisso assumido seja cumprido. Desde o início da intifada, 11 palestinos foram assassinados e dezenas ficaram feridos em agressões dos extremistas de direita e colonos israelenses. Em 19 de julho passado, ultraconservadores abriram fogo contra um automóvel matando três palestinos, entre eles uma criança de seis meses, mas as autoridades israelenses não efetuaram nenhuma detenção relacionada com o caso.

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