Jan Johannessen/AFP
Jan Johannessen/AFP

Bomba em Oslo atrasou ação da polícia na ilha

Serviços de emergência tinham orientação para priorizar as chamadas telefônicas da capital; agentes tiveram problemas para chegar ao local

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2011 | 00h00

ENVIADO ESPECIAL - HOLE, NORUEGA - O atentado de Oslo, somado à mobilização das forças de segurança na capital, deu ao fundamentalista cristão Anders Behring Breivik mais de 90 minutos para praticar o massacre na Ilha de Utoya. As revelações foram feitas ontem pela polícia, por sobreviventes e testemunhas. Preocupada em isolar a capital, a polícia demorou para atender os pedidos de socorro vindos da ilha e da cidade de Hole, a 40 quilômetros de distância.

 

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Os indícios apontam que os crimes foram uma mistura do atentado em Oklahoma City, em 1995, com o massacre de Columbine, em 1999, nos EUA. Além de ameaçar a vida do primeiro-ministro da Noruega, Jens Stoltenberg, de membros do alto escalão do governo e de moradores de Oslo, Breivik queria distrair as autoridades e ganhar tempo.

Após a explosão em Oslo, ele viajou até Hole, de onde cruzou de barco até chegar a ilha. Vestido de policial, Breivik chegou às 17h. Primeiro, atraiu a atenção dos adolescentes e fez com que todos acreditassem que ele estava ali para protegê-los.

"De repente, começamos a ouvir tiros atrás de uma pequena colina. Alguém disse: "Mas quem está caçando aqui?" Na minha cabeça, não poderia ser nada além de um caçador", afirmou Khamshajiny Gunaratnam, um dos sobreviventes.

No continente, os primeiros tiros e gritos foram interpretados como brincadeira, segundo revelou ao Estado Anita Johbraaten, de 26 anos. "Todos ouviram que alguma coisa anormal estava acontecendo na ilha, mas a primeira reação foi acreditar que as pessoas estavam se divertindo", disse. "Quando ficou claro que era uma tragédia, as pessoas tentaram ajudar, mas não havia muito a ser feito."

Segundo moradores e turistas, as linhas telefônicas da polícia estavam congestionadas em razão dos chamados em Oslo. Além disso, havia uma orientação aos atendentes para priorizar as chamadas da capital. Quando os primeiros apelos por foram atendidos, às 17h38, uma equipe de elite foi enviada para Hole. Os agentes não usaram o helicóptero, porque acreditavam que levaria tempo para preparar o voo, e seguiram de carro.

Em Hole, eles tiveram problemas para usar os poucos barcos disponíveis, que não funcionavam. Enfim, eles chegaram à ilha às 18h20, mas só conseguiram controlar a situação às 18h53, quando Breivik se rendeu sem resistência.

Mesmo traumatizada, a população de Hole não culpa a polícia pelo atraso. "Tinha ocorrido o atentado em Oslo e todos estavam muito ocupados", afirmou uma moradora, que preferiu não se identificar. "Quando se percebeu a gravidade, aí o socorro chegou. Foi muito tarde para muitos, mas não creio que possamos culpar a polícia por nada."

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