AFP
AFP

Bomba foi ato de ‘terror’, mas sem elo com jihadismo, diz governador de NY

Democrata Andrew Cuomo diz que investigações estão no início, mas que qualquer explosão intencional na cidade é uma ‘ação terrorista’; polícia busca pistas de autor do ataque que deixou 29 feridos

O Estado de S. Paulo

18 Setembro 2016 | 21h47

Andrew Cuomo, governador democrata de Nova York, disse neste domingo, 18, que a explosão de uma bomba que feriu 29 pessoas no sábado, em Chelsea, um bairro de Manhattan, foi “um ato terrorista”. “Uma bomba explodindo em Nova York é obviamente um ato terrorista, embora não esteja ligado ao terorirsmo internacional”, disse Cuomo. “Em outras palavras, não há conexão com o Estado Islâmico.”

As autoridades locais disseram neste domingo que a bomba em Chelsea pode ter conexão com outra explosão, também ocorrida no sábado, em New Jersey. “Ainda não temos todas as informações. Acreditamos que as duas estejam conectadas, mas não há provas disso ainda”, afirmou Robert Boyce, chefe dos investigadores do Departamento de Polícia de Nova York. 

De acordo com a Fox News, citando fontes policiais, as duas explosões foram “trabalho de uma mesma pessoa”. A informação levantou sérias preocupações de que um terrorista continue à solta em Nova York ou ao longo da Costa Leste dos EUA. O FBI se juntou neste domingo às buscas pelo autor da explosão. 

Ambos os ataques foram quase idênticos em sua metodologia, com explosivos colocados em latas de lixo que, segundo autoridades, foram detonadas por um telefone celular. Em New Jersey, a explosão ocorreu ao longo da rota onde milhares de pessoas se preparavam para uma corrida beneficente – ninguém ficou ferido. 

A explosão em Chelsea ocorreu na 23 Street, entre a Sexta e a Sétima Avenida, em frente a uma associação de ajuda a deficientes visuais. Horas depois, um segundo artefato foi encontrado a alguns metros do local e retirado com segurança pela polícia. O objeto seria uma panela de pressão conectada por fios a um telefone celular – muito parecida com os artefatos usados no atentado da Maratona de Boston, em 2013. 

Ato isolado. De acordo com o jornal New York Post, em uma ligação para o serviço de emergência, um homem não identificado disse ter presenciado a explosão. “Haverá outras”, afirmou em tom ameaçador. Outra pista que segue a polícia seria uma carta encontrada no saco plástico onde estava o segundo explosivo. Ela teria sido escrita à mão e parte em árabe. 

O fato de nenhum grupo ter assumido a autoria do ataque faz com que aumente a suspeita de a ação ter sido realizada por um “lobo solitário”. Neste domingo, a polícia se concentrou na análise de imagens de câmeras de segurança, no depoimento de testemunhas e nos destroços deixados pela bomba. Enquanto isso, a segurança em Nova York foi reforçada por cerca de 10 mil agentes de segurança deslocados para estações de trem e metrô da cidade.

Disputa política. Ao declarar que as explosões de sábado foram um “ato terrorista”, Cuomo novamente se colocou em posição antagônica à do prefeito Bill de Blasio, também democrata. “Estamos investigando com cuidado, mas até agora não há evidências de relação com o terrorismo”, disse o prefeito.

Cuomo e De Blasio costumam se estranhar publicamente em tempos de crise. Em janeiro de 2015, De Blasio reclamou que o governador fechou o metrô sem avisá-lo durante uma tempestade de neve. Em junho do mesmo ano, o prefeito chamou Cuomo de “um político vingativo” em uma sessão do Legislativo da cidade de Nova York.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.