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Bomba mata 27 no último dia de campanha eleitoral no Paquistão

Um ataque a bomba em frente ao comitêde um candidato à eleição no Paquistão matou pelo menos 27pessoas no sábado, último dia de campanha para as eleiçõesgerais que devem completar a transição para o governo civil. A polícia no sul do país diz ter frustrado outro atentadoplanejado para o dia da votação, segunda-feira. A campanha para as eleições do novo parlamento eassembléias das províncias tem ficado em segundo plano graçasaos temores pela segurança no país, especialmente desde que aex-primeira-ministra Benazir Bhutto foi assassinada numatentado em 27 de dezembro. Políticos da oposição tambémreclamam de fraude eleitoral. A votação pode significar problemas para o presidentepaquistanês, Pervez Musharraf, importante aliado dos EstadosUnidos, caso seja eleito um parlamento hostil a ele. Inicialmente marcada para 8 de janeiro, a eleição foiadiada após o assassinato de Bhutto, que levantou dúvidas sobrea estabilidade no país, detentor de armas nucleares. O ataque com um carro-bomba de sábado, na cidade deParachinar, região de Kurram, na fronteira com o Afeganistão,ocorreu quando os partidários de um candidato apoiado pelopartido de Bhutto chegavam ao comitê após um comício, afirmaramtestemunhas. "Vinte e sete mortes foram confirmadas e 90 pessoas ficaramferidas", disse Fida Mohammad, uma importante autoridadegovernamental na cidade. O Ministério do Interior informou quefoi um atentado com carro-bomba. O atentado a Bhutto e outros incidentes violentosdesencorajaram políticos e eleitores, e o comparecimento àsurnas na segunda pode ser baixo, apesar do policiamento de maisde 80 mil homens. Os paquistaneses também estão preocupados com o aumento depreços e a escassez de itens básicos como farinha de trigo,além dos cortes de energia cada vez mais freqüentes. Muitos estão desiludidos com todos os políticos. "Será muito difícil mudar este país", disse Mohammad Abbas,que trabalha numa loja de arroz em Sabboki, na província dePunjab. "Qualquer coisa que os políticos fazem, fazem para si, nãopara mudar", completou Abbas, afirmando que não votará. As eleições ocorrem após meses de conflito político devidoaos esforços de Musharraf, cada vez menos popular, para semanter no poder. Bhutto, duas vezes primeira-ministra, esperava vencer, eseu Partido do Povo do Paquistão deve ganhar muitos votos desimpatia. Mas com a estimativa de que nenhum dos grandes partidos --o PPP, a Liga Muçulmana do Paquistão, que apóia Musharraf, e opartido de outro ex-primeiro-ministro, Nawaz Sharif -- garantaa maioria dos assentos, é provável que surja uma coalizão entredois ou três deles. A campanha termina à meia-noite de sábado. Quase 81 milhões de pessoas, cerca de metade da populaçãodo país, se registraram para votar. Centenas de observadoresestrangeiros vão monitorar a eleição, mas não tiveram permissãode realizar pesquisas de boca-de-urna. (Reportagem adicional de Augustine Anthony, Zeeshan Haidere Hamid Shaikh em Hyderabad)

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