Mohamed al-Sayaghi / Reuters
Mohamed al-Sayaghi / Reuters

Bomba que atingiu ônibus escolar no Iêmen foi vendida pelos Estados Unidos, diz CNN

Morreram 51 pessoas pessoas no bombardeio, entre elas 40 crianças com menos de 15 anos

O Estado de S.Paulo

18 Agosto 2018 | 02h17

A bomba lançada por uma coalizão liderada pela Arábia Saudita que atingiu um ônibus escolar no Iêmen, e matou 51 pessoas, entre elas 40 crianças com menos de 15 anos, foi negociada como parte de um acordo entre os sauditas e o Departamento de Estado dos Estados Unidos, segundo informações da emissora CNN.

A arma em questão, uma bomba MK-82 de 227kg e guiada a laser, foi fabricada pela Lockheed Martin, uma das maiores empreiteiras militares dos EUA. O explosivo é semelhante ao utilizado em um ataque a um funeral no Iêmen em outubro de 2016, que, na ocasião, deixou 155 pessoas mortas e outras centenas de feridos. No episódio, a coalizão saudita assumiu a autoria do ataque e admitiu o erro, afirmando que recebeu "informações incorretas".

Após o caso, o ex-presidente dos EUA, Barack Obama, proibiu a venda de tecnologia militar guiada com precisão à Arábia Saudita por "preocupações relacionadas aos direitos humanos". A proibição foi anulada pelo então Secretário de Estado de Donald Trump, Rex Tillerson, em março de 2017.

Os EUA dizem que não tomam decisões sobre alvos para a coalizão, que está lutando contra uma insurgência rebelde houthi no Iêmen, porém, apoia o movimento com negociação de milhões de dólares em armamentos, reabastecimento de aeronaves de combate e compartilhamento de inteligência.

O atentado. O bombardeio contra o ônibus escolar foi parte de uma ofensiva da coalizão saudita na Província de Saada, no Iêmen, no dia 9 de agosto. No total, 51 pessoas morreram e outras 63 ficaram feridas, sendo a maioria delas crianças, segundo informações do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV).

A coalizão, apoiada pelo Ocidente, luta contra o grupo houthi, aliado do Irã, e disse que os ataques tinham como alvo lançadores de mísseis utilizados no ataque à cidade saudita de Jizan na quarta-feira, 8, que matou um civil iemenita. O grupo acusou os houthis de usar crianças como escudos humanos e afirmou que os ataques foram realizados respeitando a lei humanitária internacional.

O porta-voz houthi Mohamed Abdul-Salam disse que a coalizão demonstrou "claro desrespeito pela vida de civis", já que a agressão teve como alvo um local público lotado.

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