Bomba suicida mata quatro americanos em Najaf

Quatro soldados americanos morreram num ataque suicida contra um posto de controle perto de Najaf, no centro do Iraque. Foi o primeiro ataque bem-sucedido do tipo contra militares norte-americanos desde o início da guerra, e os comandantes militares temem que os atentados suicidas se convertam numa nova e ameaçadora tática de combate.O atentado foi cometido com um carro-bomba, um táxi, cujo motorista parou num posto de controle armado pela 3ª Divisão de Infantaria dos EUA nas proximidades de Najaf.Segundo testemunhas, o autor do ataque chegou ao local gritando por ajuda e detonou o explosivo quando os soldados se aproximaram. O atentado ocorreu no começo da tarde de hoje em Bagdá (manhã no Brasil).Inicialmente, as autoridades militares americanas tinham anunciado a morte de cinco soldados, mas a cifra de vítimas foi corrigida horas depois. "Quatro soldados da 3ª Divisão de Infantaria foram mortos no ataque", declarou um porta-voz das Forças Armadas dos EUA. "Seus nomes serão mantidos em sigilo até que as famílias sejam informadas."A TV iraquiana informou que o motorista do veículo era um oficial do Exército do Iraque, Ali al-Namani, que quis "dar uma lição" às tropas americanas. A emissora exagerou nos efeitos do ataque. Segundo ela, o atentado matou 11 soldados norte-americanos e destruiu dois tanques e dois blindados de transporte de tropas.A fonte informou ainda que Saddam Hussein determinou que o oficial recebesse duas condecorações póstumas. "Esse é o abençoado começo da estrada do sacrifício e martírio, que infligiu ao inimigo um castigo que não esperava", acrescentou o narrador.O vice-presidente iraquiano, Taha Yassin Ramadan, ameaçou a realização de novos ataques suicidas contra tropas anglo-americanas, dizendo que o militante que matou quatro soldados norte-americanos nos arredores de Najaf era um oficial subalterno do Exército.Ele afirmou que o regime iraquiano "seguirá o inimigo até sua terra", numa aparente ameaça de ações semelhantes em território de países da coalizão.No dia 22, outro carro-bomba explodiu no posto de controle civil de Girdi Go, na região dominada pelos curdos no norte do Iraque, causando a morte de um cinegrafista australiano e de outras três pessoas.O ataque de Najaf forçou o contingente norte-americano a ampliar o perímetro de segurança e a intensificar a vigilância da região, na qual continuam os combates.Na mesma região, as tropas norte-americanas enfrentam o risco de ataques de paramilitares do grupo Fedayin e de militares vestidos de civis, segundo fontes aliadas."Não sei o que pode ter motivado esse cara a matar-se", disse um oficial da unidade atacada, capitão Andrew J. Valles. "Mas, de todo modo, para mim não é um ato de guerra. Um homem, num veículo civil, se explodindo num posto de controle é um ato de terrorismo."Na sede do Comando Central do Exército dos EUA, em Doha, no Catar, o general americano Victor Renuart disse que a ação suicida mostra o "desespero" do regime iraquiano."Esse tipo de atividade é algo que simboliza uma organização que começa a se desesperar", disse. Renuart acrescentou que uma investigação posterior vai determinar se a ação constitui ou não crime de guerra.Os Estados Unidos e a Grã-Bretanha vêm acusando forças iraquianas de violarem as Convenções de Genebra ao levar para a frente de batalha homens armados em trajes civis. Segundo as denúncias, grupos armados fingem render-se e atiram ao aproximarem-se das tropas invasoras.O ministro da Informação iraquiano, Mohamed Said al-Sahaf, rejeitou as acusações de que havia militares em trajes civis. "Não há militares disfarçados. Há civis. É o nosso povo que luta contra os mercenários e invasores", afirmou hoje em sua entrevista coletiva diária.No mês passado, o extremista saudita Osama bin Laden, por meio de uma mensagem divulgada pela emissora de TV do Catar Al-Jazira, instou os iraquianos a empregar a tática de ataques suicidas contra os EUA. Outros militantes árabes e muçulmanos têm defendido o uso dessa estratégia.Ataques com carros-bomba e homens-bomba são usados com freqüência por palestinos em seu conflito com Israel.Dissidentes iraquianos e órgãos de imprensa árabes assinalam que Saddam Hussein abriu seus campos de treinamento para voluntários que estejam dispostos a imolar-se diante de soldados das forças invasoras.Semanas antes do início da guerra, Saddam havia advertido que "um batalhão" de mártires atacaria os inimigos do Iraque em vários pontos do planeta, caso o país fosse invadido. Veja o especial :

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.