Bombardeio a cemitério aumenta dor entre civis

Ataque aéreo espalha corpos pela vizinhança; Gaza sofre com a falta de lugar para enterrar seus mortos

AP, O Estadao de S.Paulo

15 de janeiro de 2009 | 00h00

Entre os 60 alvos bombardeados ontem, a aviação israelense atingiu um cemitério da Faixa de Gaza, arrasando dezenas de lápides e espalhando partes de corpos em avançado estado de decomposição pela área. Segundo Israel, o objetivo da ação era destruir um depósito de armamento do Hamas, que estaria escondido entre as covas, e atingir uma área de onde são disparados foguetes contra o sul do território israelense.Com a destruição de sua infraestrutura e mais de mil mortos nos 19 dias de guerra, Gaza sofre com a falta de lugares para enterrar seus mortos, afirmam autoridades palestinas. Cemitérios antes fechados por lotação tiveram de ser reabertos. Há registros ainda de mortos sendo colocados em covas já ocupadas por parentes. Uma família teria enterrado um filho sobre um avô. Outra, três primos sobre uma tia, falecida há anos. "Toda Gaza é um cemitério", disse o coveiro Salman Omar, questionado sobre a escassez de lugares para os mortos. O território palestino equivale à metade da área de Campinas e tem 1,5 milhão de habitantes e a cidade paulista, pouco mais de 1 milhão. Gaza sofre com a escassez de covas há décadas, mas a atual crise entre Israel e o Hamas tem impedido famílias de chegar ao cemitério dos Mártires, o único da região que ainda tem espaço para novos enterros.ESFORÇO COLETIVOApós o bombardeio de ontem contra o cemitério de Sheik Radwan, habitantes da região tentaram recolher os restos humanos carbonizados, jogando-os dentro de uma cratera formada pela explosão. O diâmetro do buraco ocupava a área de quase 30 covas antigas. Alguns dos voluntários cobriam os rostos com roupas por causa do forte cheiro exalado."Havia pedaços humanos por toda parte. Meu vizinho achou uma mão de uma mulher que havia morrido há muito tempo em seu telhado, colocamos tudo em um saco plástico", contou Ahmad Abu Jarbou, vizinho do cemitério. Quando cruzou a porta da frente de sua casa, tentando entender o que havia acontecido, Jarbou se deu conta de que estava pisando em restos humanos, contou.Israel reconheceu a ação e afirmou que a destruição das lápides e covas foi provocada pela consequente explosão dos armamentos do Hamas escondidos ou pela força de seu ataque aéreo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.