Bombardeio aéreo mata pelo menos 44 na Síria

Ataques à cidade de Ma'arrat al-Numan, a sudoeste de Alepo, visam impedir o avanço dos rebeldes na região; insurgentes enfrentam falta de munição

ANDREI NETTO , ENVIADO ESPECIAL , PROVÍNCIA DE ALEPO, SÍRIA, O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2012 | 08h45

Os ataques aéreos que há dois meses vêm fazendo vítimas diárias provocaram um novo massacre na tarde de ontem no norte da Síria. Pelo menos 44 pessoas morreram num bombardeio do regime de Bashar Assad à cidade de Ma'arrat al-Numan, na Província de Idlib, um dos novos focos do conflito que se prolonga por 19 meses. Enquanto a Força Aérea castiga a população civil, os insurgentes enfrentam a crescente falta de munição.

O bombardeio ocorreu na periferia da cidade de 87 mil habitantes situada a 45 quilômetros de Idlib e a 80 de Alepo, onde hoje se concentram os choques mais graves da guerra civil. Segundo a agência France Presse, os prédios atingidos se situavam próximos à base militar de Wadi Deif, que vem sendo assediada por ofensivas rebeldes nos últimos dias. Segundo testemunhos, um caça teria despejado pelo menos dez bombas na região. Uma delas atingiu em cheio um edifício, matando os 44 - entre os quais pelo menos 3 crianças e 3 mulheres - e deixando mais de 30 desaparecidos nos escombros, segundo fontes da AFP no hospital local.

O ataque elevou para 190 o número de mortos no conflito ontem, de acordo com o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), organização não-governamental oposicionista com sede em Londres. Destes, 93 seriam "civis desarmados, incluindo 14 crianças", 35 rebeldes e 61 soldados pró-Assad.

A intensificação da violência ocorre no momento em que o Exército leal ao regime iniciou uma nova ofensiva sobre Alepo, desta vez concentrando suas forças em torno do distrito de Arkoup, no norte da cidade. De acordo com Omar Bienuni, comandante rebelde na região, o ataque vem acompanhado da maior concentração de tropas de Assad desde a ofensiva sobre o bairro de Salahedine, há dois meses. "A situação é difícil porque eles estão usando tanques T-82. Nós não temos armas adequadas para destruí-los", afirmou ao Estado.

Na metrópole de Alepo, a maior parte do território está em mãos dos insurgentes, mas Bienuni não se arrisca a previsões sobre se a cidade poderá ser "liberada". A hesitação se explica porque, conforme líderes rebeldes ouvidos pela reportagem, começa a faltar munição, além de armas pesadas, para enfrentar o regime.

Confronto com turcos. Em paralelo aos combates entre insurgência e o Exército, um novo capítulo de tensão entre Síria e Turquia foi escrito ontem, quando o Exército turco voltou a disparar contra o território vizinho.

Segundo a agência estatal turca Anatolia, o ataque foi uma resposta a uma granada de obus supostamente lançada pelo Exército leal a Assad na quarta-feira. Os dois países trocam disparos há dez dias, desde que cinco pessoas morreram na cidade de Akçakale, no sul da Turquia, em razão do bombardeio de uma casa. Desde então, o governo do primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, tem carta branca do Parlamento do país para atacar a Síria.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.