Bombardeio aliado apoia avanço rebelde

Em nova fase da intervenção na Líbia, aviação destrói tanques de Kadafi para permitir marcha de combatentes opositores para o oeste

Lourival Sant'Anna, O Estado de S.Paulo

26 de março de 2011 | 00h00

Quatro tanques das forças leais ao ditador Muamar Kadafi foram destruídos ontem pela aviação aliada ao redor de Ajdabiya, 160 km a oeste de Benghazi, a principal cidade controlada pelos rebeldes, na madrugada de ontem.

O ataque abriu caminho para o avanço dos rebeldes, apoiados por caminhões transportando baterias de foguetes e caminhonetes com peças de artilharia montadas nas carrocerias. "Recebemos a tarefa de ir para a área e logo encontramos um tanque ao lado da estrada principal, longe de áreas povoadas", disse Andy Turk, comandante de um dos caças britânicos Tornado que decolaram da base de Gioia Del Colle, no sul da Itália, ouvido pelo jornal britânico The Guardian.

O risco de ''danos colaterais'' contra civis é o principal desafio da nova etapa da intervenção multinacional na Líbia, dedicada à neutralização e ao corte das linhas de suprimento das forças terrestres que cercam cidades importantes, como Ajdabiya, no leste, e Misrata, no oeste do país.

Os combatentes seguiam ontem em desvantagem de armamento, mesmo depois dos bombardeios. "Estou esperando os jatos terminarem o bombardeio antes de entrar", disse o combatente Ahmed al-Misrati, segundo a rede ABC. Os rebeldes tentaram, sem êxito, negociar com os integrantes das forças de Kadafi, que segundo eles perderam comunicação com seu comando.

Funcionários do governo levaram ontem jornalistas para ver locais onde supostamente civis teriam sido mortos pelos bombardeios das forças da coalizão em Trípoli e Tajura, cidade vizinha da capital. O governo afirma que "aproximadamente" 100 civis foram mortos, mas não permite o acesso dos jornalistas a hospitais, necrotérios e parentes das vítimas. Os comandantes americanos e britânicos afirmam que não houve baixas civis. Repórteres observaram que os sinais são de ataques precisos contra alvos militares, como radares.

Um vídeo colocado no YouTube pelo Freedom Group, ligado aos rebeldes, afirma que foram presas duas mercenárias colombianas lutando em favor das forças de Kadafi. Na quinta-feira, o coronel Ahmed Omar Bani, da Força Aérea rebelde, tinha dito que mercenários sérvios também foram presos, sem dar mais detalhes. A eles se juntam os mais tradicionais mercenários de países africanos, como Chade, Níger, Sudão, Mali, Gana e Gâmbia.

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