Bombardeio atinge prédio de escritórios de TV e agência

Edifício onde ficavam a Al-Jazeera e a 'AP', na Cidade de Gaza, foi esvaziado após ataque de Israel; ninguém se feriu

CIDADE DE GAZA, O Estado de S.Paulo

23 Julho 2014 | 02h00

Enquanto no Cairo continuavam os esforços diplomáticos para um cessar-fogo, um avião de combate israelense bombardeou o prédio onde fica a sede da TV árabe Al-Jazeera, do Catar, e os escritórios da agência de notícias americana AP. Mais tarde, foram relatadas fortes explosões próximo do conjunto de hotéis onde está hospedada grande parte dos jornalistas em Gaza. Ninguém ficou ferido.

Depois do ataque, a rede de TV retirou seu pessoal dos escritórios em Gaza. "Dois disparos muito precisos foram lançados diretamente contra nosso edifício", afirmou a jornalista da Al-Jazeera Stefani Dekker. Assim como os funcionários da TV, os jornalistas da AP também foram retirados do edifício.

O Exército israelense bombardeia Gaza há mais de 15 dias e, na quinta-feira, deu início a uma incursão por terra. Até ontem, o número de mortos palestinos era de 621. Cerca de 300 imóveis civis e casas particulares, dois hospitais e pelo menos uma mesquita foram bombardeados.

Do lado israelense, foram registrados 29 mortos, dos quais, dois civis. Ontem, o Exército confirmou que o sargento Oron Shaul, de 21 anos, estava desaparecido na Faixa de Gaza. Militares disseram à imprensa de Israel que o soldado pode estar morto. Shaul desapareceu na madrugada de domingo quando o blindado em que estava com outros seis militares foi atingido por um foguete. Seis corpos foram resgatados e nenhum identificado como Shaul. No mesmo dia, o grupo Hamas disse ter capturado o soldado.

Diplomacia. No Cairo, o secretário de Estado americano, John Kerry, reuniu-se ontem com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e com o presidente egípcio, Abdel-Fattah al-Sissi. Após a reunião, Kerry disse que os EUA estavam dispostos a reconstruir a Faixa de Gaza e a atender as demandas políticas dos palestinos que vivem ali, mas um cessar-fogo deveria ser alcançado primeiro.

Kerry pressionou o Hamas a se engajar em negociações de paz com base em uma trégua proposta pelo Egito, rejeitada por ambos os lados. Na segunda-feira, o líder do Hamas no território palestino, Ismail Haniyeh, declarou que não aceitaria nenhuma trégua incondicional com Israel, ao mesmo tempo em que o ministro da Defesa israelense, Moshe Yaalon, afirmou que a operação militar de seu país continuará "até quando for necessária" em Gaza.

Ban, por sua vez, pediu que os dois lados "combatam as causas profundas do conflito". Em resposta, o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, disse que o Hamas é o responsável pelo último ciclo de violência e por rejeitar um cessar-fogo que poderia encerrá-lo. "O Hamas é como o Isil (Estado Islâmico no Iraque e no Levante), como a Al-Qaeda, como o Hezbollah e como o Boko Haram", disse, referindo-se a grupos radicais islâmicos. / AP e REUTERS

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