Bombardeio atribuído aos EUA influencia reunião na Casa Branca

Enquanto recebe líderes afegão e paquistanês, Washington diz investigar morte de até 130 civis no Afeganistão

.NYT E AP, O Estadao de S.Paulo

07 de maio de 2009 | 00h00

O número de civis mortos no bombardeio aéreo de segunda-feira atribuído aos EUA na Província de Farah, sudoeste do Afeganistão, pode chegar a 130, no que é apontado como o pior massacre de civis afegãos por forças americanas nos últimos meses. A notícia influenciou a encontro que o presidente Barack Obama teve na Casa Branca com seus colegas do Afeganistão, Hamid Karzai, e do Paquistão, Asif Ali Zardari, reduzindo em parte o poder de pressão que pretendia exercer sobre eles para exigir mais ação contra a Al-Qaeda e seu principal aliado na Ásia Central, o Taleban (mais informações na página A13).O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) confirmou ontem que as mortes foram causadas por "um bombardeio aéreo". Mas a denúncia - a primeira de uma fonte independente com acesso ao local - não menciona os EUA. Em Washington, a secretária de Estado americano, Hillary Clinton - que pela manhã recebeu Karzai e Zardari -, lamentou "profundamente" a morte de civis, mas evitou associá-las aos ataques americanos. "Não conhecemos todas as circunstâncias. Haverá uma investigação conjunta, dos governos do Afeganistão e dos EUA", disse Hillary.Os ataques contra a população devem aumentar a resistência dos líderes tribais às ações militares contra o Taleban e a Al-Qaeda numa região sensível, na fronteira com o Irã.ACUSAÇÃOFuncionários do CICV que chegaram ao local do bombardeio na terça-feira disseram ter visto dezenas de corpos - incluindo o de mulheres e crianças -, mas a equipe não pôde determinar o número exato de mortos "porque muitos já tinham sido enterrados". Na segunda-feira, moradores do vilarejo de Granai levaram entre 20 e 25 corpos em caminhões para a sede do governo de Farah. Os EUA confirmaram o bombardeio aéreo do local, atendendo a um pedido de reforço enviado pelo Exército afegão, que combatia rebeldes taleban. O comandante das forças americanas no Afeganistão, David McKiernan, disse que os combates em Farah começaram depois que militantes do Taleban atacaram no domingo postos da polícia em três vilarejos do Distrito de Bala Boluk. Segundo o governo local, três policiais foram mortos e outros três ficaram feridos e três civis foram decapitados durante os ataques.Segundo McKiernan, o governo da província pediu apoio das forças americanas nos combates, que duraram várias horas e contaram com ataques aéreos dos EUA. Mas McKiernan disse, sem dar detalhes, que possui "outras informações que levam a conclusões bem diferentes sobre a causa da morte dos civis". Um funcionário americano de Defesa disse, sob condição de anonimato, que o Taleban fez um esforço para parecer que os ataques aéreos causaram as mortes dos civis - que, na verdade, teriam sido vítimas de granadas -, levando em conta a proximidade da reunião em Washington. Segundo o líder do conselho da Província de Bala Boluk, Muhammad Nazir, o Taleban provoca os ataques aéreos prevendo o impacto negativo sobre os civis e a opinião pública.ALVO ERRADO5 de maio de 2007 - Bombardeio americano mata 21 civis na Província de Helmand 18 de junho de 2007 - Pelo menos sete crianças morreram em um ataque da Força Aérea americana contra uma escola e uma mesquita na Província de Paktika. EUA dizem que insurgentes usavam crianças como escudo6 de julho de 2008 - Bombardeio dos EUA mata 47 civis no distrito de Deh Bala22 de agosto de 2008 - Ataques aéreos da coalizão liderada pelos EUA deixam 90 civis mortos na Província de Herat (30 eram crianças), segundo a ONU. EUA dizem ter matado apenas 30 combatentes do Taleban

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