Bombardeio de Israel em Gaza deixa 225 mortos

Em retaliação a foguetes do Hamas, israelenses lançam maior ataque dos últimos 40 anos contra o território

AP, AFP E REUTERS, O Estadao de S.Paulo

27 de dezembro de 2008 | 00h00

Pelo menos 225 pessoas morreram - segundo cifras da agência de notícias Reuters - e mais de 200 ficaram feridas em um pesado bombardeio lançado ontem pelo Exército israelense na Faixa de Gaza, controlada pelo movimento fundamentalista islâmico palestino Hamas.A ofensiva foi lançada após uma série de advertências do governo israelense, ao longo de toda a semana, de que não hesitaria em usar a força para retaliar seguidos ataques com foguetes Katiusha disparados por ativistas do grupo palestino contra o sul de Israel. "Desde a Guerra dos Seis Dias (de 1967), Israel não lançava um ataque que matasse tanta gente num único dia", disse o encarregado dos serviços de saúde de Gaza, Moawiya Hasanie.Na imediata resposta à ação israelense, membros do Hamas dispararam vários foguetes contra o território de Israel, matando uma civil em Netivot, cidade próxima da fronteira com o território. Um cessar-fogo, acertado em junho entre o Hamas e o governo israelense expirou no fim de semana passado. Durante a semana, mais de 80 Katiushas foram lançados pelo Hamas - que tomou o controle de Gaza do movimento moderado Fatah (que lidera a Autoridade Palestina) há um ano e meio, após um sangrento conflito entre palestinos.De acordo com fontes israelenses e palestinas, Israel vinha adiando o lançamento de um ataque maciço desde o fim da trégua por duas razões: por causa do mau tempo e para permitir que mediadores egípcios convencessem o Hamas a aceitar um novo cessar-fogo. Testemunhas indicaram que pelo menos 30 mísseis foram lançados por caças-bombardeiros e helicópteros durante a operação militar israelense. O premiê israelense, Ehud Olmert, justificou o ataque com a alegação de que os foguetes do Hamas ameaçavam a integridade de cidadãos israelenses. "A operação pode se estender por algum tempo e incluir o uso de forças terrestres", assinalou. Ele ainda assegurou que Israel evitará uma crise humanitária no território. Desde o fim da trégua até sexta-feira, Israel havia fechado todos os acessos a Gaza, provocando o desabastecimento de alimentos, água e combustível na região.O governo israelense informou que o alvo das operações eram "campos de treinamento, dependências do governo local, arsenais e centros de comando da organização terrorista Hamas". "A maior parte dos mortos na ofensiva é de gente uniformizada do Hamas", afirmou o porta-voz do Exército israelense Avi Benyahu. O ataque causou pânico na população. Entre as áreas atingidas, estão o porto da Cidade de Gaza e várias sedes das forças de segurança da organização fundamentalista.Taufik Jaber, chefe da polícia do Hamas em Gaza, foi morto na ofensiva. A TV local exibiu imagens da destruição de vários edifícios e a revolta da população, além de cenas de cadáveres com o uniforme preto do Hamas em meio aos escombros."Não deixaremos nossa terra, não hastearemos bandeiras brancas e não nos ajoelharemos ante ninguém, exceto a Deus", disse o líder do Hamas e responsável pelo governo em Gaza, Ismail Haniyeh, numa mensagem ao povo palestino. De seu exílio em Damasco, o líder máximo do grupo, Khaled Meshal, conclamou os palestinos para uma nova intifada (revolta) contra Israel.

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