Bombardeio mata 22 extremistas pró-Taleban

A polícia entrou em confronto hoje com partidários de um proscrito grupo pró-Taleban depois que autoridades paquistanesas não permitiram o retorno do Afeganistão dos corpos de combatentes da organização que foram mortos em ataques aéreos dos Estados Unidos. Pelo menos 22 integrantes do grupo extremista Harkat ul-Mujahedeen, baseado no Paquistão e que luta na Caxemira, foram mortos num ataque em Cabul, anunciou hoje um porta-voz da organização. Foi o maior número de mortos entre pessoas ligadas a grupos terroristas no Afeganistão desde o início dos ataques aéreos liderados pelos EUA em 7 de outubro. Mais cedo hoje, guardas fronteiriços paquistaneses não permitiram que os corpos de 11 integrantes do Harak ul-Mujahedeen fossem levados ao país para serem enterrados. Amigos e testemunhas disseram que os corpos acabaram sendo contrabandeados para o Paquistão no final do dia. Entretanto, cerca de 4.000 seguidores do grupo concentraram-se no local onde encontra-se o mausoléu do fundador do país, Mohammed Ali Jinnah, e exigiram que o governo autorizasse o enterro no Paquistão. "Não voltaremos para casa até que os ritos fúnebres tenham sido concluídos e eles sejam enterrados", disse Mufti Subhanullah, um líder do grupo, a seus partidários, que levantaram as mãos em sinal de aprovação. Entre 100 e 150 manifestantes invadiram o interior do mausoléu e saquearam cerca de o equivalente a US$ 275 de caixas registradoras, informou a polícia. Policiais lançaram bombas de gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes, que jogaram pedras e atacaram um policial, disseram autoridades. Em Lahore, Muzamal Shah, um destacado líder do grupo, afirmou que os que morreram haviam viajado do Paquistão para o Afeganistão a fim de ajudar a milícia Taleban "a desenvolver um plano para combater a América". Eles estavam numa reunião numa casa de Cabul na terça-feira quando uma bomba atingiu o local. Alguns dos corpos - incluindo vários altos comandantes do Harkat ul-Mujahedeen - foram completamente estraçalhados, não permitindo o reconhecimento, afirmou Shah. Um dos principais comandantes do grupo, Ustad Farooq, teria morrido no ataque, segundo Iftikhar Ahmed, um porta-voz do Harkat ul-Mujahedeen em Karachi. Alguns dos mortos eram de Karachi, segundo a polícia, e outros saíram de Dera Ismail Khan e Chaman, uma cidade fronteiriça onde o Taleban tem forte apoio. O Harkat ul-Mujahedeen, ou "Movimento dos Guerreiros Sagrados", foi recentemente colocado numa lista de organizações terroristas, e bens do grupo foram congelados pelos governos do Paquistão e Estados Unidos. O Paquistão colocou o grupo na ilegalidade no começo deste mês. O grupo luta na Caxemira controlada pela Índia para que a região seja incorporada ao Paquistão. Centenas de paquistaneses pertencentes a grupos militantes baseados no Paquistão vêm cruzando para o Afeganistão desde o início dos ataques aéreos americanos. Muitos afirmam que estão se incorporando a uma guerra santa contra os EUA. Leia o especial

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