Bombardeio provoca onda de protestos contra os EUA no Paquistão

Moradores cujas casas foram destruídas num ataque americano desfechado para tentar matar o segundo em comando da Al-Qaeda, Ayman al-Zawahri, negam que ele sequer estivesse no local atingido. Milhares de paquistaneses participaram de passeatas e manifestações contra o ataque à vila de Damadola. Uma multidão ateou fogo à sede de um grupo de ajuda humanitária financiado pelos Estados Unidos.na sexta-feira, moradores de Damadola haviam informado que o bombardeio americano contra a vila havia matado 17 pessoas. Zawahri era o alvo, segundo a mídia americana e autoridades. Os moradores garantem que o terrorista nunca esteve no local. "É uma grande mentira... Só nossos parentes morreram neste ataque", disse Shah Zaman, que perdeu dois filhos e uma filha. "Eles jogam bombas de aviões, e não temos como detê-los. Dizer que somos inocentes". Um vizinho de Zaman, Shamroze Khan, de 55 anos, disse nunca ter visto estrangeiros na região. Autoridades americanas e paquistanesas disseram à rede de televisão NBC News que aviões teleguiados dispararam pelo menos 10 mísseis contra a vila, que fica na região habitada pela tribo Bajur, no noroeste paquistanês.Não havia soldados ou policiais na vila quando a reportagem da Associated Press visitou o local, na manhã deste sábado. Três casas foram destruídas. Os mortos foram sepultados em covas rasas. Também neste sábado, a polícia teve de usar gás lacrimogêneo para dispersar centenas de pessoas que se reuniram para protestar contra o ataque, na cidade de Bajur. Uma demonstração pacífica reuniu milhares em outra cidade próxima, Inayat Qala. Em uma vila próxima, Khar, centenas de manifestantes furiosos atearam fogo à sede da Construção e Desenvolvimento Associados, um grupo financiado pelos Estados Unidos. O local também foi saqueado, mas ninguém ficou ferido. GovernoO governo do Paquistão também condenou o ataque, mas não atribuiu oficialmente o ocorrido aos Estados Unidos. O ministro da Informação, xeque Rashid Ahmed, disse, numa entrevista coletiva, que o governo quer "garantir ao povo que não permitirá que Atis incidentes voltem a ocorrer". Ele disse que a administração paquistanesa não tem informações sobre Ayman al-Zawahri."Lamentamos profundamente que vidas civis tenham se perdido em um incidente na área Bajur. Embora este ato seja altamente condenável, lutamos há tempos para livrar todas as nossas áreas tribais de intrusos estrangeiros que são responsáveis por toda a miséria e violência na região. Esta situação tem de acabar", declarou.Perguntado sobre a autoria do ataque, Ahmed disse que a chancelaria paquistanesa "vai informá-los".

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