Bombardeios ?cirúrgicos? são mais prováveis, diz professor da USP

Há uma única certeza sobre a operação militar que os Estados Unidos estão preparando contra os responsáveis pelos ataques terroristas da semana passada: será uma ação muito planejada, que precisa de amplo respaldo internacional.A opinião é do professor Samuel Feldberg, do Núcleo de Pesquisas Internacionais da Universidade de São Paulo. Ele acha que o mais provável são bombardeios cirúrgicos contra alvos no Afeganistão.Esses ataques, segundo ele, atenderiam à necessidade de um efeito psicológico para aplacar o sentimento de derrota do cidadão norte-americano. "Não vai haver uma guerra de larga escala", descartou Feldberg.Assim, a convocação de 35 mil reservistas pelo governo de George W. Bush, na opinião do professor, é mais uma ofensiva psicológica do que uma ação militar efetiva. Muito mais provável, segundo ele, serão operações secretas, "por baixo do pano", contra terroristas ao redor do mundo, que não ganharão publicidade.De acordo com ele, essas seriam ações mais consequentes nessa guerra, em que o inimigo não tem uma face conhecida. "Será preciso uma grande ação de inteligência para determinar onde e quem atacar", disse o professor da USP.Isso apontaria para uma guerra de longa duração, já que há muitas dificudades a serem superadas, como apontou na noite desta quinta-feira, em discurso ao Congresso, o presidente Bush: "Os americanos não devem esperar uma única batalha, mas uma longa campanha, diferente de qualquer uma que já tenhamos visto".O professor não descarta, entre as estratégias em estudo pelos Estados Unidos, uma operação que tente derrubar a milícia Taleban do poder.Neste caso, o Irã poderia aliar-se aos Estados Unidos, em substituição ao governo do Paquistão, que enfrenta uma oposição doméstica substancial contra a caçada a Osama bin Laden.De acordo com o professor, uma operação anti-Talebam poderia arregimentar apoio de uma parte da população descontente com o atual governo.Nesse cenário confuso, quem reapareceu foi o rei Mohammed Zahir Shah, deposto em 73 após um golpe dado por um sobrinho, que abriu um período de três décadas de constante conflito no país que culminou com o Talebam no poder.De Roma, onde vive, o rei vem fazendo apelos à população afegã a favor da paz e contra o terrorismo.Segundo Feldberg, a única preocupação é que uma articulação contra o governo atual não resulte em um novo governo ainda mais radical, como já ocorreu na história recente do Oriente Médio, sendo o Irã o caso mais visível.

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