Bombardeios de forças de Kadafi deixam ao menos 23 mortos em Misrata

Ataques em Misrata mataram civis; rebeldes alertam para massacre na cidade

estadão.com.br,

14 de abril de 2011 | 08h33

Atualizada às 11 horas

MISRATA- Ao menos 23 pessoas morreram nesta quinta-feira, 14, no intenso bombardeio das forças leais a Muamar Kadafi contra a cidade líbia de Misrata, informou a  Al Jazeera.

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Um morador da cidade, sitiada há semanas pelas forças pró-Kadafi, contou à emissora que o balanço de mortos é provisório, já que muitos corpos "ainda estão sob os escombros de casas e prédios destruídos pelos bombardeios". Ele afirmou que todas as vítimas são civis.

O ataque, no qual foi usado artilharia pesada, começou ao amanhecer, "o único momento do dia no qual os aviões da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) não intervêm", explicou o morador, identificado como membro da célula de informação dos jovens da revolução de 17 de fevereiro.

Ao menos 80 mísseis foram lançados sobre diferentes pontos da cidade, segundo a fonte.

Segundo a Efe, inúmeros corpos continuam espalhados pelas ruas, por isso o número de mortos confirmados pode aumentar nas próximas horas.

 

Massacre

Nesta quinta-feira, rebeldes líbios alertaram para a ameaça de um "massacre" em Misrata pelas tropas leais à Kadafi, caso a Otan não intensifique seus ataque na cidade. O alerta aconteceu após o ataque de hoje, em que pelo menos nove civis morreram.

"Um massacre... vai acontecer aqui se a Otan não intervir fortemente", disse um porta-voz dos rebeldes, que se identificou como Abdelsalam, à Reuters por telefone em Misrata.

A cidade, sob controle rebelde, está à beira de uma catástrofe humanitária e a situação piora a cada dia, dada a falta de alimentos, cortes de água e luz e de meios de comunicação.

Atualmente existem esforços internacionais para levar ajuda a esta cidade, embora o regime líbio tenha ameaçado no início da semana com um "selvagem e violento" ataque em caso da chegada de uma missão humanitária a Misrata.

Os rebeldes que defendem Misrata, seu último grande enclave no oeste da Líbia e que tem sido cena de pesados combates nas últimas semanas, estão preocupados com a ausência de uma estratégia militar clara para tirar Gaddafi do poder.

Com Efe e Reuters

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