Syrian Civil Defense- White Helmets via AP
Syrian Civil Defense- White Helmets via AP

Bombardeios deixam mais de 150 mortos em área rebelde de Alepo, dizem socorristas

Membros dos capacetes brancos, grupo civil de socorristas, informaram que ataques aéreos das forças de Bashar Assad - com apoio da aviação russa - voltaram a se intensificar nesta semana

O Estado de S. Paulo

13 Outubro 2016 | 15h15

ALEPO - A retomada dos bombardeios no leste de Alepo, dominada pelos rebeldes, deixou mais de 150 pessoas mortas esta semana, disseram agentes de resgate - conhecidos como "Capacetes Brancos" - nesta quinta-feira, 13, no momento em que o governo da Síria acentua sua ofensiva com apoio da Rússia para dominar a cidade inteira.

Os ataques aéreos contra áreas rebeladas do leste de Alepo diminuíram ao longo do fim de semana depois de o Exército sírio anunciar que iria reduzir as incursões pelo que descreveu como razões humanitárias, mas os bombardeios voltaram a se intensificar desde terça-feira.

A ofensiva aérea deixou 13 mortos nesta quinta, quando aviões de guerra atingiram vários bairros controlados pelos rebeldes, incluindo Al-Kalaseh, Bustan al-Qasr e Al-Sakhour, disse o agente da defesa civil Ibrahim Abu al-Laith. "O bombardeio começou às 2 horas da manhã e continua até agora", disse Laith.

Alepo está dividida entre áreas controladas pelo governo e pelos rebeldes há anos. Acredita-se que mais de 250 mil pessoas estão presas no leste da cidade, o bastião urbano mais importante dos insurgentes, enfrentando a escassez de alimento, combustível e remédios. A Defesa Civil é um serviço de resgate que opera em áreas rebeldes da Síria.

Não foi possível contatar as autoridades militares sírias de imediato para obter comentários sobre a situação mais recente em Alepo. Os governos sírio e russo dizem só visar militantes.

Em uma parte do oeste de Alepo controlada pelo governo, ao menos 4 crianças foram mortas e 10 ficaram feridas nesta quinta-feira, quando bombas caíram perto de uma escola, relatou o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, um grupo de monitoramento da guerra sediado no Reino Unido.

A agência estatal de notícias síria "Sana" disse que a escola localizada na área de Al-Suleimaniya foi atingida pelo que descreveu como um ataque terrorista. O Observatório também relatou que o bombardeio realizado em partes de Alepo nas mãos do governo deixou oito pessoas mortas na quarta-feira. 

Diplomacia. Diante da indignação internacional pela situação humanitária em Alepo, Washington e Moscou - respectivos apoios dos rebeldes e do regime de Bashar Assad - anunciaram na quarta-feira duas reuniões internacionais para este fim de semana com o objetivo de iniciar mais um cessar-fogo na outrora capital econômica da Síria.

A retomada do diálogo é necessária há que no front diplomático, a comunidade internacional se mostrou até agora incapaz de colocar fim ao banho de sangue nesta cidade, que se converteu em um dos símbolos da guerra que atinge a Síria desde março de 2011.

Os Estados Unidos e a Rússia, que suspenderam há vários dias seus contatos sobre a Síria, anunciaram na quarta-feira duas reuniões internacionais com os países árabes e europeus: a primeira no sábado em Lausanne (Suíça) e a segunda no domingo em Londres.

Ao encontro do secretário de Estado americano, John Kerry, e de seu colega russo, Serguei Lavrov, devem se somar os ministros da Turquia, Arábia Saudita e Catar, os três apoios das forças de oposição síria. Nenhuma das partes confirmou um convite ao Irã, ator-chave no conflito e aliado de Assad.

No domingo em Londres, Kerry deve se reunir com seus colegas de Reino Unido, Alemanha e França. / REUTERS, EFE e AFP

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