REUTERS/Ammar Abdullah
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Bombardeios e ataque de artilharia deixam ao menos 46 mortos e 106 feridos em Alepo

OMS condenada ataques a centros médicos do país que 'reduziram a disponibilidade de serviços de saúde no norte da Síria'; bombardeios e disparos de artilharia atingiram centro médico por quase 12 horas, segundo diretor da instituição

O Estado de S. Paulo

16 de novembro de 2016 | 16h04

DAMASCO - Pelo menos 46 pessoas morreram e mais de 106 ficaram feridas nesta quarta-feira, 16, pelos bombardeios e tiros de artilharia nos bairros do leste da cidade síria de Alepo, de acordo com o porta-voz de Defesa Civil na província, Ibrahim Abu Leiz.

"A maioria das vítimas foi registrada nos bairros de Al-Shaar e Al-Sukari", informou a fonte, cuja organização realiza trabalhos de resgate em áreas fora do controle das autoridades.

Antes, o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH) havia noticiado a morte de 21 pessoas nesta quarta e de outras 11 ontem, após a retomada na terça-feira dos bombardeios e dos disparos de artilharia por parte das forças governamentais contra o leste de Alepo, sitiado pelo Exército e controlado pela oposição.

Por outro lado, Abu Leiz acrescentou que pelo menos 19 pessoas morreram em Batabu, ao oeste de Alepo, em um ataque de aviões não identificados, número que foi confirmado pelo OSDH. Há a possibilidade de aumento no número de mortos por esse ataque porque ainda continuam os esforços de remoção de escombros em Batabu.

Grande parte das vítimas em Al-Shaar estavam no Hospital Cirúrgico Al-Bayan, atingido durante a madrugada e a manhã desta quarta. "A área onde fica o hospital, o bairro de Al-Shaar, foi atacada entre 1 horas e 12 horas (horários locais, 21 horas de terça-feira e 8 horas desta quarta no horário de Brasília) pelo regime com todo tipo de arma, desde aviões até foguetes", afirmou o diretor da unidade, Mahmoud Rahim Abu Bakr.

O diretor disse que os estragos foram tão grandes que o hospital ficou fora de serviço. "Ainda não sabemos se continuaremos nosso trabalho em outro lugar ou o que faremos", afirmou.

Por sua vez, a Associação de Médicos Independentes (IDA), uma ONG síria com sede na Turquia que presta apoio a hospitais em Alepo, informou em comunicado sobre um bombardeio hoje contra o Hospital Infantil da Alepo, que foi atingido por 20 barris de explosivos. 

Na nota, o diretor do hospital, identificado apenas como doutor Hatem, explicou que a equipe e os pacientes se esconderam em uma sala subterrânea. "Os aviões estão voando sobre nós. Não podemos sair. Talvez consigamos nos proteger nesta sela", afirmou Hatem. A IDA também informou que um banco de sangue situado a 100 metros do hospital foi atingido nos ataques. Este foi o quinto ataque contra uma instalação médica na Síria em apenas três dias.

Os ataques ocorreram um dia depois de as forças do governo sírio e seus aliados russos retomarem ofensivas em todo o norte da Síria, incluindo os bombardeios russas com mísseis de cruzeiro disparados de navios de guerra no Mediterrâneo. As forças sírias, por sua vez, lançaram bombardeios pesados na região oriental de Alepo, controlada pelos rebeldes, numa tentativa de romper uma dos últimos redutos urbanos da oposição.

Reação. A Organização Mundial da Saúde (OMS) condenou nesta quarta-feira os "ataques massivos" contra cinco hospitais na Síria - três em Alepo e dois em Idlib - entre os dias 13 e 15 de novembro.

De acordo com a OMS, os hospitais destruídos davam mais de 20 mil consultas e realizavam mais de 1,7 mil cirurgias e 600 partos por mês. A destruição dos locais "reduziram gravemente a disponibilidade de serviços de saúde no norte da Síria" e causaram "a interrupção de cuidados a pacientes em estado crítico", afirmou a organização.

"Surpreendentemente os ataque a hospitais na Síria estão aumentando tanto em frequência quando em potencia", afirmou a OMS que, ao longo de 2016, registrou 126 ofensivas contra equipamentos médicos no país em conflito. "O padrão destes acontecimentos indica que os serviços de saúde têm sito atacados de forma deliberada no conflito sírio, o que signigica uma violação da lei internacional." / EFE e WASHINGTON POST

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