AFP
AFP

Bombardeios em Alepo atingem os dois principais hospitais da cidade

Disparos de artilharia deixaram ao menos seis mortos perto de uma padaria na região síria; forças do governo entraram em confronto com rebeldes em diversas frentes de ataques

O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2016 | 11h05

BEIRUTE - Os dois principais hospitais da parte rebelde da cidade síria de Alepo foram atingidos nesta quarta-feira, 28, por bombardeios e ficaram inoperantes de forma temporária, afirmou a ONG que trabalha com os centros médicos.

"O ataque aconteceu às 4h locais (22h de terça-feira em Brasília). Um avião militar atacou os dois diretamente", afirmou Adham Sahlul, da ONG Syrian American Medical Society (SAMS), que tem sede nos EUA.

O gerador de um dos dois hospitais ficou completamente destruído. Três funcionários ficaram feridos na segunda instalação, incluindo um motorista de ambulância, uma enfermeira e um contador, informou o hospital.

"Restam apenas (na parte oriental de Alepo) seis hospitais ativos, agora que estes dois estabelecimentos estão fora de serviço", disse. Os dois hospitais têm unidades de urgência e de tratamento de traumatismos, e já haviam sido bombardeados, segundo Sahlul.

Não se sabe se os responsáveis pelo ataque foram aviões do regime da Síria ou de seu aliado russo. Ambos dirigem uma campanha de bombardeios na região, a qual o Exército sírio quer reconquistar.

Também nesta quarta-feira, ao menos seis pessoas morreram por disparos da artilharia das forças governamentais perto de uma padaria nos bairros orientais de Alepo. O Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH) apontou que os soldados governamentais abriram fogo contra uma zona próxima ao comércio, situado no bairro de Al Maadi. A ONG não descartou que o número de mortos aumente porque há feridos em estado grave e desaparecidos.

Reconquista. Forças do governo sírio entraram em confronto com rebeldes em diversas frentes de ataques em Alepo. Uma autoridade sênior rebelde disse que forças pró-governo também estavam se mobilizando em uma possível preparação para mais ataques em solo nas áreas centrais da cidade, que é dividida em zonas controladas separadamente por rebeldes e pelo governo.

"Houve confrontos em al-Suweiqa desde às 5h locais (23h de terça-feira em Brasília) até agora. O Exército avançou um pouco, e os homens estão repelindo", disse um militante do grupo rebelde Frente do Levante em áudio enviado à agência de notícias Reuters, se referindo à área em que houve confrontos na terça-feira.

Outra autoridade rebelde disse que forças do governo também estão atacando o acampamento de refugiados de Handarat, mantido por insurgentes e localizado a poucos quilômetros ao norte de Alepo.

Vaticano. O papa Francisco pediu para que cessem os bombardeios sobre civis em Alepo, alertando que os autores dos ataques irão enfrentar o julgamento de Deus. O pontífice definiu a cidade como "martirizada, onde todos estão morrendo - crianças, pessoas idosas, pessoas doentes, pessoas jovens".

Veja abaixo: Guerra na Síria já deixou mais de 300 mil mortos

Ele não deu nome aos autores dos bombardeios, mas grupos que monitoram a situação na região dizem que o governo da Síria e da Rússia intensificaram ataques aéreos em áreas rebeldes da cidade desde o fim de um cessar-fogo na semana passada.

"Renovo um apelo para todos se comprometerem com todas suas forças a proteger os civis", disse Francisco durante seu discurso semanal. Estima-se que mais de 250 mil civis estejam sitiados em Alepo. / EFE, AFP e REUTERS

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.