Bombardeios matam dezenas no Paquistão

Bombas explodiram um cibercafé, destruíram um ônibus que carregava crianças portadoras de deficiência e espalharam pânico na principal cidade ao noroeste do Paquistão neste sábado, matando pelo menos 11 pessoas em um dia de diversos ataques na região. Separadamente, um suposto ataque de mísseis dos EUA destruiu uma zona tribal paquistanesa, disseram autoridades, enquanto tropas paquistanesas relataram a morte de outras 47 pessoas na tentativa dos EUA de retomar o Vale do Swat.

AE-AP, Agencia Estado

16 de maio de 2009 | 14h37

A violência vem aumentando no território paquistanês ao longo da fronteira com o Afeganistão, conforme norte-americanos e forças aliadas engrossam a pressão sobre o Al-Qaeda e militantes Talebans entrincheirados nas montanhas e vales.

Washington e outros governos têm enviado bilhões de dólares em ajuda e assistência militar para reforçar o governo pró-ocidental em Islamabad, que neste sábado buscou amenizar as preocupações de que suas armas nucleares poderão cair em mãos extremistas.

A primeira das duas bombas a explodir em Peshawar neste sábado estava escondida em um carro e devastou uma rua movimentada com tráfego, compradores e adoradores que seguiam para mesquitas para rezar.

Imagens de televisão mostraram vários veículos atingidos queimando ferozmente e um ônibus branco e verde atacado que vinha deixando crianças deficientes em suas casas ao redor da cidade. Todos os oito alunos que continuavam a bordo ficaram feridos, um deles gravemente, juntamente com o motorista e um assistente, informaram médicos e policiais.

Outras quatro crianças e sete adultos foram mortos, e dezenas de outras pessoas ficaram feridas, disseram.

Safwat Ghayur, um oficial sênior da polícia, disse que um dos vários edifícios gravemente danificados pela explosão foi um cibercafé - um alvo favorito de violentos extremistas islâmicos no Paquistão, que consideram a Internet uma fonte de corrupção moral. Ghayur disse que o café tinha recebido várias ameaças e foi atacado recentemente por atiradores. Mas não estava claro se qualquer uma das vítimas da bomba esteve no café ou se ele era o alvo pretendido.

Nenhum grupo alegou responsabilidade pelo carro-bomba, ou pela explosão menor no final da tarde em um bazar de lojas de roupas femininas que, segundo a política, feriu quatro pessoas.

Militantes têm prometido realizar uma série constante de ataques no Paquistão, em retaliação às dezenas de ataques de mísseis norte-americanos em suas fortalezas em áreas tribais do Paquistão. No mais recente ataque, autoridades paquistanesas disseram que vários mísseis atingiram uma escola religiosa e um veículo neste sábado pela manhã perto de Mir Ali, uma cidade na região tribal do Waziristão do Norte.

Dois funcionários de inteligência, citando relatórios dos agentes no campo, informaram que 29 pessoas foram mortas, incluindo quatro militantes estrangeiros, e dezenas ficaram feridas. Eles disseram que a escola estava sendo usada como campo de treinamento por Gul Bahadur, um proeminente comandante Taleban, e que o grupo se reunia para uma missão no Afeganistão.

Mais ao norte, o Exército se preparava para atacar militantes Talebans entrincheirados em Mingora, a principal cidade do Vale do Swat, de onde cerca de um milhão de civis fugiram durante uma ofensiva militar que durou três semanas. Cerca de 100 mil estão alojados em campos ao sul da zona de guerra.

O Exército disse que já matou mais de 800 dos estimados 4 mil militantes no vale, e que muitos outros fugiram, alguns após terem se barbeado para se misturar com os refugiados.

O porta-voz do Exército Major General Athar Abbas disse neste sábado que 47 militantes foram mortos nas últimas 24 horas e que uma parte do vale, perto da cidade de Khwazakhela, estava segura o suficiente para os residentes retornarem.

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