REUTERS/ Stoyan Nenov
REUTERS/ Stoyan Nenov

Curdos acusam Turquia de violar cessar-fogo e bombardear norte da Síria

Tiros e explosões foram ouvidos próximos à fronteira dos dois países, um dia após os Estados Unidos anunciarem um cessar-fogo de cinco dias na região; ONG diz que ataques mataram ao menos 5 civis

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de outubro de 2019 | 04h06
Atualizado 18 de outubro de 2019 | 14h59

CEYLANPINAR, TURQUIA - Os curdos acusaram nesta sexta-feira, 18, as forças turcas de seguirem bombardeando a cidade de Ras al Ain, no norte da Síria, fronteira com a Turquia, apesar da trégua de cinco dias anunciada na véspera por Ancara e Washington.

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Uma fonte das Forças Democráticas da Síria (SDF, em inglês), aliança liderada pelos curdos, afirmou que "os tiros de artilharia continuam" por parte dos turcos durante na manhã desta sexta, após ataques ocorridos na madrugada.

Sob anonimato, a fonte afirmou disse que as ações das facções rebeldes da Turquia e da Síria ocorrem em Ras al Ain, uma das primeiras cidades alvo da ofensiva militar que teve início no último dia 9, versão também divulgada pelo Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

"Apesar do acordo de cessar-fogo, os bombardeios e disparos continuam e tem como alvos os milicianos, a população civil e o hospital da cidade de Ras al Ain", denunciou Mustafa Ali, porta-voz militar curdo.

Já o OSDH afirmou que há combates entre as SDF e facções rebeldes sírias apoiadas pela Turquia em Ras al Ain em uma tentativa de avançar na região. Ainda segundo o OSDH, os ataques turcos mataram cinco civis no povoado de Bab al Jeir, perto de Ras Al Ain.

A Anistia Internacional afirmou que forças turcas e grupos sírios que os apoiam na ofensiva contra curdos no norte da Síria cometeram crimes de guerra, incluindo execuções sumárias e ataques cruéis contra civis.

"As forças militares turcas e os grupos armados sírios apoiados pela Turquia mostraram desprezo vergonhoso pela vida dos civis", afirmou a Anistia em comunicado.

Este seria o primeiro dia do cessar-fogo após o acordo anunciado na quinta-feira por Turquia e Estados Unidos, que prevê a retirada das Unidades de Proteção do Povo Sírio (YPG) de uma região de segurança de 32 quilômetros na fronteira nos próximos cinco dias.

O prazo desse acordo coincide com uma reunião entre Erdogan e o presidente e da Rússia, Vladimir Putin, na terça-feira, em Sochi - o que aumentou a desconfiança de que o Kremlin terá a palavra final no conflito que já deixou mais de 500 mil mortos.

Na noite de quinta, as SDF afirmaram que respeitariam essa suspensão das hostilidades, mas que a trégua é limitada à área entre Ras al Ain e Tal Abyad, as regiões mais afetadas pela ofensiva turca.

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, pretende estabelecer uma "zona de segurança" para reassentar 2 milhões de refugiados que deixaram a Síria como consequência da guerra civil iniciada em 2011.  / EFE, AFP e REUTERS

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