AP Photo/Fernando Llano
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Ao menos três bombas caseiras explodem no centro de Caracas

Grupo dissidente do chavismo reivindica ação perto da Assembleia Nacional; ainda não há registro de feridos no ataque

O Estado de S. Paulo

26 Janeiro 2016 | 15h36

CARACAS -  Ao menos três bombas caseiras explodiram ontem sem deixar feridos nos arredores da Assembleia Nacional, no centro de Caracas. A ação foi reivindicada pelo grupo Forças Bolivarianas de Libertação (FBL) – uma dissidência radical do chavismo que é crítica ao governo do presidente Nicolás Maduro. 

A facção culpa tanto o governo quanto a oposição pela crise econômica no país. O ataque ocorreu no mesmo dia em que o presidente se reuniria com empresários para discutir a crise.

Segundo a polícia, foram encontradas quatro bombas nos arredores da Assembleia, que desde o começo do ano é controlada pela oposição ao chavismo. Membros do Corpo de Bombeiros, da Polícia Nacional Bolivariana e do Serviço Bolivariano de Informação (Sebin) foram enviados ao local para investigar as explosões. 

Testemunhas disseram que as detonações ocorreram de maneira simultânea e a fumaça obrigou quem estava por perto a sair correndo. 

“Sem dúvida é uma atitude de quem está próximo ou é cúmplice do governo para criar pânico e desvirtuar a discussão de temas importantes”, disse o líder da oposição na Assembleia, o deputado Júlio Borges. 

Junto a uma caixa que continha explosivos, colocada a poucos metros do prédio da Assembleia Nacional , foram encontrados folhetos que pediam “firmar posição sobre a situação da política nacional” por meio da “Operação Continuemos o 23 de janeiro” – em referência ao movimento que derrubou o ditador Marcos Pérez Jiménez, em 1958. 

Os panfletos denunciavam também um suposto pacto entre o chavismo e a oposição para entregar os dólares para a oligarquia venezuelana, o que teria, segundo o grupo, piorado a crise na Venezuela. Os folhetos também criticam a corrupção e o clientelismo das altas esferas do governo 

Prazo. Ainda ontem, em entrevista à agência Reuters, o presidente da Assembleia Nacional venezuelana, Henry Ramos Allup, disse que a oposição trabalha com um prazo de seis meses antes de decidir se buscará um referendo revogatório do mandato de Maduro. Ele também afirmou não acreditar que o chavista consiga terminar o mandato em virtude da grave crise econômica que o país atravessa. 

“Demos esse prazo de seis meses antes de buscar uma saída constitucional”, disse Ramos Allup. “O cálculo político simplista de ‘deixá-lo terminar o mandato e se queimar no próprio petróleo me parece irresponsável demais”, disse o parlamentar. “O que o próximo presidente herdaria? Um cemitério.”

Maduro se reuniria na noite de ontem com empresários do setor produtivo em mais uma tentativa de amenizar a crise econômica do país, pela qual ele responsabiliza a oposição e o governo americano. / AFP, EFE e REUTERS


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