Bryan Denton/The New York Times
Bryan Denton/The New York Times

Bombas de fragmentação deixarão de ser produzidas nos EUA

Textron, última empresa a fabricar o armamento em território americano, informou que encerrará a produção em razão das dificuldades impostas pelo 'contexto político atual'; convenção internacional de Oslo de 2008 proíbe o uso deste tipo de bombas

O Estado de S. Paulo

02 de setembro de 2016 | 16h07

WASHINGTON - O último fabricante americano de bombas de fragmentação porá fim à produção deste controverso armamento, proibido em muitos países por sua capacidade de matar civis, uma vitória para as ONGs que buscam eliminar seu uso.

"O contexto político atual" dificultou a autorização de exportar bombas de fragmentação, explicou o grupo Textron na tarde de quarta-feira em nota à SEC, a Comissão de Valores e Seguros dos Estados Unidos.

No fim de maio, o governo americano decidiu suspender a exportação de bombas de fragmentação da Textron para a Arábia Saudita, após a pressão de algumas ONGs e de legisladores que denunciavam o uso destas armas por sauditas no Iêmen.

As bombas de fragmentação contêm pequenas bombas, em certos casos até centenas delas, que se dispersam em uma área muito extensa, mas que nem sempre explodem, o que faz com que na prática funcionem como minas antipessoais e representem um risco de morte para civis durante anos.

A convenção internacional de Oslo de 2008, que proíbe este tipo de bombas, foi ratificada por muitos países ocidentais, mas não pelos Estados Unidos. Outros quinze países produzem bombas de fragmentação, como China, Rússia e Israel.

Segundo relatório do Observatório de bombas de fragmentação da ONU, estes explosivos foram usados de forma "intensa e repetida" em 2015 no Iêmen pela coalizão chefiada pela Arábia Saudita e na Síria pela Rússia. De acordo com este relatório, mais de 400 pessoas morreram ou ficaram feridas nestes ataques, das quais 97% eram civis e, destes, 36% eram crianças. / AFP

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